11° DOMINGO APÓS O PENTECOSTES

11° DOMINGO APÓS O PENTECOSTES – T. 2
Santos Igúmenos e Místicos, Isaac (+383), Dalmácio (+440) e Fausto (+451), ascetas do monastério da Dalmácia.
I Co 9:2-12 || Mt 18:23-35

Em Nome do +PAI, e do +FILHO e do +ESPÍRITO SANTO.

Amados irmãos,

O evangelho de hoje fala de perdão, de misericórdia, de arrependimento sincero e efetivo.

Deus nunca nos acusa de nenhuma falta ou delito.

Somos nós, somente nós mesmos que, pelas nossas decisões erradas e comportamentos egocêntricos, revelamos o verdadeiro estado do nosso coração. Bem-aventurança ou danação apenas confirmam o que nós mesmos construímos ao longo da vida. E viciamos ficar no estado onde entendemos que só temos razão, e regamos nossa vaidade com o desamor.

O Senhor Jesus, na parábola do evangelho, diz que havia um rei que emprestou dinheiro a muitos súditos, e diante dele foi levado um servo que tomou emprestado a quantia de dez mil talentos.

Ora, dez mil talentos era uma dívida impagável! E notem que o rei não cobrou juros da dívida.

Conforme a sentença do rei, para quitar a dívida, deveria ser vendido o servo devedor junto com sua esposa e filhos. O servo com medo então se prostra diante do rei, e humilhando-se com súplicas, pediu um prazo maior para quitar a dívida.

São Teofilactos de Ohrid nos diz que Deus, “em Seu amor pelo homem, Deus perdoou a dívida inteiramente, embora o servo não estivesse pedindo perdão total da dívida, mas uma extensão do tempo em que ia pagá-la. Saiba, portanto, que Deus dá mais do que pedimos”.

Não à toa, São Cipriano de Cartago comenta que “o Senhor acrescenta uma condição necessária e incontestável, que é, ao mesmo tempo, um mandamento e uma promessa, isto é, que peçamos perdão das nossas ofensas na medida em que perdoamos aos que nos ofendem, para que saibamos que é impossível alcançar o perdão que pedimos de nossos pecados se nós não agimos de forma semelhante com os que nos ofenderam”.

Mas o servo que teve sua dívida perdoada, não agiu com misericórdia com quem lhe devia bem menos.

O modo como tratamos nosso próximo revela externamente o modo como nos relacionamos com Deus. Justificamos o tempo todo nossas falhas, não assumimos nossos pecados, em todo nosso erro culpamos os outros nos fazendo de “coitadinhos”, somos permissivos e tolerantes com nossas fraquezas, inventamos as mais estúpidas desculpas para fundamentar o porquê agimos errado.

Somos indiferentes ao que Deus pensa de nosso mal comportamento, e chegamos ao ponto de pensar que Ele não vê nossos delitos. E Deus vê!

Não queremos admitir, mas nossa conduta não é justa, e sabemos que é reprovada por Deus.

Quem pede perdão a Deus e não perdoa seu irmão”; diz São João Crisóstomo: “fecha com as próprias mãos a porta da misericórdia que Deus abriu”.

É impossível estar na Igreja e não viver a prática constante do perdão!

Estar na Igreja de Cristo é somente possível, se praticarmos Seu principal mandamento, e é o mandamento que tornou-se base de toda a Sua Igreja: o AMOR. O Amor é o aroma de Cristo! Sem este perfume, não somos agradáveis na presença de Deus.

São Serafim (Rose) de Platina ensina que “a revelação de Deus é dada a algo chamado coração amoroso”; e acrescenta: “O homem foi feito para subir acima da curiosidade e da concupiscência, para o amor; e, através do amor, para o alcance da verdade”.

Quem esquece a misericórdia recebida de Deus, e se justifica na auto-justiça, ou seja, segundo “vozes da minha cabeça”; torna-se capaz de oferecer misericórdia. Lembremos o que diz o Senhor no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5:7).

A parábola de hoje termina com o servo sendo entregue aos torturadores.

Orígenes interpreta o Evangelho como o estado da alma que recusa a misericórdia: não é Deus que tortura, é o próprio coração endurecido que se fecha à graça. O inferno começa quando o homem decide não amar o próximo e não perdoar quem ofendeu.

Como queremos viver com Deus na eternidade, se detestamos os Seus mandamentos? Como queremos o Reino dos Céus se somos indiferentes com os estatutos divinos? São Cipriano ao comentar sobre o Pai-Nosso, diz que “Deus quer que sejamos pacíficos e concordes, e que habitemos unânimes em Sua casa”.

Perdoar é um reflexo da unidade que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em discórdia e ódio, não teremos lugar nem espaço no Reino de Deus.

Portanto devemos fazer um exame de consciência, e questionar a nós mesmos: Que tipo de relacionamento quero ter com Deus? Tenho como objetivo ser para alguém o rosto da misericórdia de Deus?

Que o Deus da paz e da concórdia no nos conceda um coração capaz de guardar na memória o perdão recebido e de oferecê-lo aos outros, para a maior glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Sacerdote Nicolau Machado

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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