Durante o período em que celebramos a Preciosa e Vivificante Cruz do Senhor vale a pena nos perguntarmos a nós mesmos, mais uma vez: o que a Cruz significa para mim?
Outrora, a Cruz foi um instrumento da mais terrível e vergonhosa execução. Nela, morriam criminosos. E foi sobre esse mesmo instrumento que Cristo, voluntariamente, entregou a Sua vida por cada um de nós.
Não pela humanidade em geral, não por um povo abstrato, mas por cada indivíduo em particular. Por mim. Por você. Por aquele que hoje está cansado, perdido, que mais uma vez cometeu o mesmo pecado que prometera abandonar. Pela pessoa que quase deixou de acreditar que é digna de amor.
Portanto, ao olharmos para a Cruz, vemos mais do que apenas sofrimento. Vemos o preço do amor de Deus.
A Cruz de Cristo nos fala também de outra coisa. Cristo não morreu apenas por nós; Ele disse: “Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
É aqui que começa a parte mais difícil.
Aceitamos prontamente a cruz como um ornamento, como um sinal de que pertencemos à Igreja. É muito mais difícil aceitá-la como um modo de vida.
A nossa cruz não é necessariamente um grande sofrimento. Às vezes, é uma pessoa que temos dificuldade em amar. Às vezes, é uma doença. Às vezes, é a necessidade de suportar, de perdoar ou de permanecer em silêncio quando queremos revidar. Às vezes, é renunciar honestamente a algo que nos agrada, mas que destrói a alma. Às vezes, é simplesmente fazer o bem, dia após dia, de maneiras que ninguém notará ou elogiará.
O cristão não carrega a sua cruz porque ama o sofrimento. Nós não adoramos a dor. Cremos em Cristo, que Ele mesmo passou pelo sofrimento e pela morte e os venceu por meio da Ressurreição.
Portanto, a Cruz nunca é a palavra final. A Ressurreição sucede a Cruz.
Há mais uma coisa importante. Sempre que fazemos o Sinal da Cruz, é como se disséssemos a Deus, novamente: “Quero seguir-Te”. Mas, se a mão traça a cruz enquanto a vida permanece inalterada, o Sinal da Cruz transforma-se, aos poucos, em um mero gesto habitual.
Procuremos, hoje, fazer dele uma oração.
Ao fazermos o Sinal da Cruz pela manhã, antes de o dia começar, peçamos ao Senhor que abençoe nossos pensamentos e nossas ações. Ao nos persignarmos antes de uma conversa difícil, recordemos a paciência de Cristo. Ao fazermos o Sinal da Cruz em um momento de tentação, lembremo-nos de a Quem pertence a nossa vida. E, quando as coisas se tornarem difíceis, não perguntemos apenas: “Por que isso está acontecendo comigo?”, mas procuremos perguntar: “Senhor, como posso passar por isso con´Tigo?”
A Cruz não é uma promessa de uma vida sem dificuldades. É a promessa de que, nessas dificuldades, não estamos sozinhos.
Assim, hoje, ao venerarmos a Cruz de Cristo, não veneremos apenas madeira ou um símbolo. Veneremos o amor de Deus, que se mostrou mais forte do que a morte. E peçamos ao Senhor que nos conceda a coragem não apenas de usar a cruz sobre o peito, mas também de carregá-la em nossa vida.
“Se alguém quiser vir após Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mateus 16,24).
Sacerdote Antoniy Kosykh
tradução de monja Rebeca (Pereira)







