“Se Cristo não ressuscitou, então a nossa pregação é vã e a vossa fé é vã” (1 Coríntios 15:14).
No “plano estratégico” de Deus para a vida do mundo e a sua salvação, Ele interveio decisivamente, em Pessoa, “pisando a morte pela morte”. À luz radiante da gloriosa ressurreição de Jesus, as trevas são vencidas, a criação é renovada, a decepção e o desespero já não têm a última palavra, a tristeza transforma-se em alegria e a morte perdeu o seu aguilhão. Há esperança para todos, porque o nosso Deus vive!
Na sua juventude, o popular apologista cristão C.S. Lewis declarava com arrogância não acreditar em nenhuma religião, afirmando que todas eram mitos criados pelo homem. Anos mais tarde, ao considerar as implicações da ressurreição de Cristo, vivenciou uma conversão profunda e sincera. Numa reflexão intitulada *Surpreendido pela Alegria*, escreveu: “Nenhuma palavra no meu vocabulário expressava um ódio mais profundo do que a palavra ‘interferência’. Mas o Cristianismo colocava no centro aquilo que, para mim, parecia então um ‘Interferidor Transcendental’. Não havia região, nem mesmo nas profundezas mais íntimas da alma, que se pudesse cercar com arame farpado e proteger com um aviso: ‘Proibida a entrada’. E era isso que eu queria: alguma área, por menor que fosse, da qual eu pudesse dizer a todos os outros seres: ‘Isto é assunto meu, e apenas meu’.”
Aqui, Lewis expressa sentimentos que muitos nutrem hoje em dia, mas raramente verbalizam. Todos nós queremos sentir-nos independentes e seguros em nós mesmos; queremos cercar-nos e dizer aos outros — e até mesmo a Deus: “Afastem-se! Não me incomodem. Deixem-me em paz”. De fato, temos o direito de dizer isso.
Mas o nosso Senhor crucificado e ressuscitado — o “Interferidor Transcendental” — também tem o direito de entrar nas nossas situações humanas, nos nossos relacionamentos, circunstâncias, agendas e planos, para ir ao nosso encontro com o Seu Amor divino e a Sua misericórdia persistente. Assim como Ele diz à igreja de Laodiceia, satisfeita consigo mesma, Ele também nos diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele co´Migo” (Apocalipse 3:20).
Estamos dispostos a abrir a porta e convidar para entrar em todos os aspectos de nossas vidas Aquele que bate incessantemente, sabendo muito bem que Sua presença Todo-Poderosa vai “virar nosso mundo de cabeça para baixo”, desafiar nosso *status quo* e interferir em nossos planos pessoais?
Depois que nosso Senhor ressuscitou Seu amigo Lázaro, Seus críticos fizeram uma pergunta significativa uns aos outros: “Que faremos? Pois este homem realiza muitos sinais” (João 11,47). Essa é uma pergunta com a qual toda geração — na verdade, toda alma — precisa se confrontar. Como acolhemos e respondemos a “este homem”, a este “Interferidor Transcendental”?
A Igreja primitiva sabia exatamente o que fazer! Não apenas convidaram o Cristo que bate à porta a entrar plenamente e transformar suas vidas pessoais, mas, como o novo “Corpo de Cristo”, passaram a pregar, ensinar e convidar a todos a fazerem o mesmo. E sua convicção entusiasta e resoluta gerou frutos surpreendentes; o Senhor multiplicava os fiéis e acrescentava membros à Igreja diariamente. Tão persuasivos e convincentes eram o testemunho e a vida dos apóstolos que eles foram acusados de “virar o mundo de cabeça para baixo” (Atos 17,6).
Essa é a fé que cada um de nós deve redescobrir e aplicar em nossas vidas agitadas e tempos conturbados — a fé pascal que remove as pedras de nossos túmulos autoinfligidos e clama com David: “Levante-Se Deus e sejam dispersos os Seus inimigos”. Essa é a fé que responde com entusiasmo e alegria às batidas incessantes do Interferidor Transcendental e abre a porta para Seu Amor Divino e Sua misericórdia persistente.
Por Sua graça abundante e maravilhosa, o Senhor Ressuscitado continua batendo à porta. Ele está pronto para nos encher de fé, luz, esperança, perdão, misericórdia e amor — para interferir em nossas vidas de maneiras maravilhosas e extraordinárias — basta que abramos a porta!
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Pela Sua grande misericórdia, fomos regenerados para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, e para uma herança que é incorruptível, imaculada e imarcescível” (1 Pedro 1:3-4).
Arcipreste Daniel Kovalak
tradução de monja Rebeca (Pereira)






