O Evangelho de hoje narra a cura dos endemoniados de Gadara. Cristo liberta pessoas que não conseguiam mais viver uma vida normal. Seria de se esperar que os moradores da cidade se alegrassem. Mas acontece o contrário. Eles pedem ao Salvador que se retire.
Por quê?
Porque a manada de porcos perdida era mais importante para eles do que as vidas salvas. Eles presenciaram um milagre, mas temiam que ele interrompesse sua rotina. Estavam mais preocupados com os danos materiais do que com a ressurreição de uma pessoa.
E hoje, essa questão não é menos urgente. O que é mais importante para nós? O consolo ou Cristo? Muitas vezes, também dizemos a Deus: “Não interfira”. Enquanto a fé não exige nada, tudo bem. Mas assim que o Evangelho nos chama a renunciar ao pecado, perdoar uma ofensa, sacrificar nosso tempo ou bens por outra pessoa, começamos a procurar razões para deixar tudo como está.
Cristo não força ninguém. Ele entra somente onde é bem-vindo. E se uma pessoa escolhe a sua própria paz em vez de Deus, o Senhor não quebra essa liberdade.
Hoje, vale a pena se perguntar: o que em minha vida se tornou essa “rebanho de porcos” que tenho medo de perder? Talvez hábitos, riqueza, orgulho ou meu próprio conforto? Por que estou disposto a abrir mão para encontrar Cristo?
O valor da alma humana é incomparavelmente maior do que qualquer coisa que possamos adquirir neste mundo. E se o Senhor bater em nossos corações hoje, é importante não repetir o erro dos gadarenos, mas dizer a Ele: “Senhor, permanece comigo”.
“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mateus 16:26)
Sacerdote Antoniy Kosykh
tradução de monja Rebeca (Pereira)








