A HISTÓRIA BÍBLICA
As Sagradas Escrituras nos contam que, quando nosso Senhor estava morrendo na Cruz, Ele viu Sua mãe e Seu discípulo João e disse à Virgem Maria: “Mulher, eis aí o Teu filho!” e a João: “Eis aí a tua mãe!” (João 19:25-27). A partir daquele momento, o Apóstolo cuidou da Theotokos em sua própria casa.
Juntamente com a referência bíblica em Atos 1:14, que confirma que a Virgem Maria estava com os Santos Apóstolos no dia de Pentecostes, a Tradição da Igreja afirma que Ela permaneceu na casa do Apóstolo João em Jerusalém, continuando Seu ministério em palavras e ações.
No momento de Sua morte, os discípulos de nosso Senhor, que pregavam por todo o mundo, retornaram a Jerusalém para ver a Theotokos. Com exceção do Apóstolo Tomé, todos eles, incluindo o Apóstolo Paulo, estavam reunidos ao Seu lado. No momento de Sua morte, o próprio Jesus Cristo desceu e levou Sua alma para o céu.
Após Seu falecimento, o corpo da Theotokos foi levado em procissão e depositado em um túmulo próximo ao Jardim do Getsêmani. Quando o apóstolo Tomé chegou três dias depois e desejou ver Seu corpo, encontrou o túmulo vazio. A assunção corporal da Theotokos foi confirmada pela mensagem de um anjo e por sua aparição aos apóstolos.
CELEBRAÇÃO DA FESTA DA DORMIÇÃO
A comemoração da Dormição da Theotokos e a preparação para a Festa começam em 1º/14 de agosto com um período de jejum. Um jejum rigoroso é observado na maioria dos dias (sem carne, laticínios, azeite ou vinho), com exceção do peixe na Festa da Transfiguração (6/19 de agosto) e no dia da Dormição. Azeite e vinho são permitidos aos sábados e domingos.
O Ano Litúrgico
Dormição da Theotokos
A festa da Dormição ou Adormecimento da Theotokos é celebrada em 15/28 de agosto, precedida por um jejum de duas semanas. Esta festa, também chamada de Assunção, comemora a morte, ressurreição e glorificação da Mãe de Cristo. Ela proclama que Maria foi “assumida” por Deus no Reino Celestial de Cristo na plenitude de Sua existência espiritual e corporal.
Assim como no caso do nascimento da Virgem e da festa de Sua entrada no templo, não existem fontes bíblicas ou históricas para esta festa. A Tradição da Igreja é que Maria morreu como todas as pessoas morrem, não “voluntariamente” como Seu Filho, mas pela necessidade de sua natureza humana mortal, indissoluvelmente ligada à corrupção deste mundo.
A Igreja Bizantina ensina que Maria é sem pecados pessoais. No Evangelho da festa, porém, nos serviços litúrgicos e no ícone da Dormição, a Igreja proclama também que Maria realmente precisava ser salva por Cristo, assim como todos os seres humanos são salvos das provações, sofrimentos e morte deste mundo; e que, tendo verdadeiramente morrido, Ela foi ressuscitada por Seu Filho como a Mãe da Vida e já participa da vida eterna do paraíso, que é preparada e prometida a todos os que “ouvem a palavra de Deus e a guardam” (Lucas 11:27-28).
Ao dar à luz, preservaste a Tua virgindade. Ao adormecer, não abandonaste o mundo, ó Theotokos. Foste trasladada para a vida, ó Mãe da Vida, e pelas Tuas orações, livras as nossas almas da morte. (Troparion)
Nem o túmulo, nem a morte puderam reter a Theotokos, que é constante na oração e a nossa firme esperança em Suas intercessões. Pois, sendo a Mãe da Vida, foi trasladada para a vida por Aquele que habitou o Seu ventre virginal. (Kondakion)
Os serviços da festa repetem o tema principal: que a Mãe da Vida “passou para a alegria celestial, para a divina felicidade e o deleite sem fim” do Reino do Seu Filho. (Versículo das Vésperas) As leituras do Antigo Testamento, assim como as leituras do Evangelho para a Vigília e a Divina Liturgia, são exatamente as mesmas da festa da Natividade da Virgem e da Sua Apresentação ao Templo. Assim, na Vigília, ouvimos novamente Maria dizer: “Minha alma engrandece ao Senhor, e o Meu espírito se alegra em Deus, Meu Salvador” (Lucas 1:47). Na Divina Liturgia, ouvimos a carta aos Filipenses, onde São Paulo fala do esvaziamento de si mesmo por Cristo, que Se submete à servidão humana e à morte ignóbil para ser “exaltado soberanamente” por Deus, Seu Pai (Filipenses 2:5-11). E, mais uma vez, ouvimos no Evangelho que a bem-aventurança de Maria pertence a todos os que “ouvem a palavra de Deus e a guardam” (Lucas 11:27-28).
Portanto, a festa da Dormição da Theotokos é a celebração do fato de que todos os homens são “exaltados soberanamente” na bem-aventurança do Cristo vitorioso, e que essa exaltação soberana já foi consumada em Maria, a Theotokos. A festa da Dormição é o sinal, a garantia e a celebração de que o destino de Maria é o destino de todos aqueles de “condição humilde” cujas almas magnificam o Senhor, cujos espíritos se alegram em Deus Salvador, cujas vidas são totalmente dedicadas a ouvir e guardar a Palavra de Deus que é dada aos homens no filho de Maria, o Salvador e Redentor do mundo.
Por fim, é preciso ressaltar que, em todas as festas da Virgem Mãe de Deus na Igreja, os cristãos bizantinos celebram fatos de suas próprias vidas em Cristo e no Espírito Santo. O que acontece com Maria acontece a todos que imitam Sua vida santa de humildade, obediência e amor. Com ela, todos serão “abençoados” por serem “mais honrados que os querubins e incomparavelmente mais gloriosos que os serafins”, se seguirem Seu exemplo. Todos terão Cristo nascido neles pelo Espírito Santo. Todos se tornarão templos do Deus vivo. Todos participarão da vida eterna do Seu Reino, se viverem a vida que Maria viveu.
Nesse sentido, tudo o que é louvado e glorificado em Maria é um sinal do que é oferecido a todas as pessoas na vida da Igreja. É por isso que Maria, com o divino Menino Jesus em Seu ventre, é chamada na Tradição Bizantina de Imagem da Igreja. Pois a assembleia dos salvos são aqueles em quem Cristo habita.
Em algumas igrejas, é costume abençoar flores na festa da Dormição da Santíssima Mãe de Deus.
Protopresbítero Thomas Hopko
tradução de monja Rebeca (Pereira)







