Décimo Nono Domingo após o Pentecostes
II Cor. 11:31-12:9; Lucas 6:31-36
O mandamento fundamental e original é: amai! É uma palavra pequena, mas que expressa algo abrangente. É fácil dizer: “deves amar”, mas não é fácil alcançar o amor no grau necessário. Também não é exatamente claro como alcançá-lo; é por isso que o Salvador cerca este mandamento com outras regras explicativas: amai o próximo como a vós mesmos; e, como quereis que os homens vos façam, fazei-lhes vós também da mesma maneira.
Aqui é apresentado um grau de amor que se pode chamar de ilimitado; pois, acaso existe algum limite para o amor que alguém tem por si mesmo? E existe algum bem que alguém não desejaria para si, vindo dos outros? Contudo, tais instruções não são impossíveis de cumprir. Tudo depende de se ter uma compaixão perfeita pelos outros — de transferir plenamente os sentimentos deles para si mesmo, sentindo da mesma forma que eles sentem.
Quando isso acontece, não há necessidade de alguém lhe indicar o que deve fazer pelos outros em uma determinada situação: o seu próprio coração lhe mostrará. É preciso apenas cuidar para manter essa compaixão; caso contrário, o egoísmo surgirá imediatamente, atraindo-o de volta para si mesmo e confinando-o dentro de si.
Então, você não moverá um dedo pelo próximo, nem sequer olhará para ele, ainda que ele esteja à beira da morte. Quando o Senhor disse: “amai o próximo como a vós mesmos”, Ele quis dizer que o nosso próximo deve estar dentro de nós — isto é, em nosso coração — ocupando o lugar de nós mesmos. Se o nosso “eu” permanecer ali como antes, não podemos esperar que daí resulte qualquer coisa boa.
São Teófano, o Recluso
tradução de monja Rebeca (Pereira)







