Deixando sua frutífera solidão espiritual nos Alpes, Marie Madeleine, por conselho de uma amiga, foi para Essex, onde o Padre Sofrônio vivia após sua mudança forçada, primeiro do Monte Athos e depois da França. Ela tinha trinta e oito anos na época, por volta de 1984. O futuro encontro a inspirou com grandes esperanças e expectativas, mas tudo se revelou mais complexo do que ela imaginara em seus sonhos mais brilhantes e inspirados. O Padre Sofrônio estava perto dos noventa anos e sua saúde, debilitada por muitos anos de trabalho ascético, era muito frágil. Naqueles anos, o Ancião gozava de lucidez e sobriedade, mas a saúde nem sempre lhe permitia conversar com os numerosos visitantes. A chegada da francesa, que estava em intensa busca espiritual, coincidiu com um período de sua doença, obrigando o idoso padre-confessor a permanecer em reclusão em sua cela. A estrita observância dessa rotina diária era assegurada pelos seus cuidadores, que proibiam estritamente que alguém perturbasse o asceta doente. Diante da inabalável determinação deles em proteger seu Pai Espiritual de qualquer intrusão indesejada, o caminho de Marie Madeleine, repleto de esperanças, quase foi interrompido. Ela se viu diante de uma porta trancada que lhe escondia a luz de toda a sua vida futura, capaz de iluminar seu caminho na escuridão e conduzi-la ao conhecimento da Verdade.
Para Marie Madeleine, aquele encontro foi crucial e vital, pois ela sentia a Providência das circunstâncias que o levaram a acontecer. O Senhor lhe mostrara o caminho até o Ancião de maneira extraordinária, e agora ela aguardava sua orientação como se fossem as próprias palavras de Deus. Ninguém melhor do que o Padre Sofrônio para compreender o que lhe acontecera ao longo dos anos — seus caminhos e experiências espirituais eram muito semelhantes em muitos aspectos. Em sua juventude, o Ancião, tendo aceitado um pensamento inimigo inspirado pela espiritualidade demoníaca oriental, afastou-se de sua extraordinária fé infantil, forçando-se a interromper a obra de graça da oração em sua alma. Após passar sete anos em tal escuridão interior de apostasia, foi chamado de volta à comunhão com Deus por uma visão da Luz Divina Incriada, o que o levou a tornar-se monge no Monastério Russo de São Panteleimon, no Monte Athos, onde, como escreveu mais tarde, “a Divina Providência o lançou aos pés do Ancião Siluan”. Portanto, ele tinha consciência da profunda queda que ocorrera tanto com ele quanto com Marie Madeleine, do efeito regenerador da Revelação Divina e de toda a amargura das lágrimas de penitência derramadas pela consciência de ter ofendido, com sua incredulidade, o Amor de Cristo que ultrapassa a compreensão humana. Assim, Marie, com a perseverança da Mulher Cananeia do Evangelho, esforçou-se para entrar na cela que lhe escondia Cristo como a última esperança de salvação.
Então, ela continuou a insistir para que o assistente do Ancião a visse, dizendo que realmente precisava vê-lo, mas ele repetidamente respondia que era absolutamente impossível naquele momento. Eles discutiram e argumentaram até que a porta da cela se abriu repentinamente e o Padre Sofrônio apareceu na soleira. Ele estava de fato muito doente e fraco, mas seu rosto irradiava uma alegria e um amor extraordinários. “Sou eu!”, proclamou triunfantemente da soleira, convidando sua hóspede para entrar na cela. Lá, eles tiveram uma conversa na qual o ancião apoiou o desejo de Marie Madeleine de se converter à Ortodoxia e lhe deu instruções muito importantes que a convenceram da correção do caminho escolhido. No entanto, ele considerou impossível realizar o Sacramento do Santo Batismo nela ali em Essex. O Padre Sofrônio explicou-lhe que, até recentemente, eles haviam recebido tantas pessoas na Ortodoxia que desejavam se converter, que as autoridades locais começaram a acusá-los de proselitismo. Existia a ameaça de um possível fechamento do monastério no qual haviam investido tanto trabalho e recursos, e era impensável imaginar uma mudança para um novo local, dada a idade avançada e a saúde debilitada do fundador. O Ancião Sofrônio desejava muito encontrar ali seu lugar de descanso eterno.
Por essa razão, o Padre Sofrônio enviou Marie Madeleine a outro grande Ancião athonita, São Porfírio de Kafsokalyvia, dizendo que ele organizaria sua vida futura segundo a vontade de Deus. Assim, ela viajou de Essex para a Grécia com as orações e a bênção do grande asceta russo do século XX, recentemente canonizado pelo Patriarcado de Constantinopla, sob cujo omóforion foi transferido em obediência a Sua Santidade o Patriarca Alexei I (Simansky) de Moscou. Seu caminho a levou pelo nordeste da Ática, onde, entre as cidades de Oropos e Malakasa, perto da pequena vila montanhosa de Milesi, o Ancião Porfírio (Bairaktaris) havia construído seu hesicasterion em honra da Transfiguração do Senhor. Este monastério está situado quase em frente à sua ilha natal, Eubeia (Evia), que ele deixou em sua juventude para iniciar sua vida monástica no Skete de Kafsokalyvia, no Monte Athos. Alguns anos depois, ele teve que deixar o monastério devido a grave doença, após a qual tornou-se Padre Confessor do Monastério de São Caralampo, perto de seu local de nascimento, e depois serviu por um longo tempo na igreja-hospital de São Gerásimo, em Atenas, onde adquiriu os dons da clarividência e da cura. Em 1979, fundou um monastério, onde combateu o bom combate junto com algumas monjas de ideias semelhantes. Naquela época, o Ancião já estava muito doente e não podia ficar sem cuidados e ajuda.
Quando Marie Madeleine chegou a Milesi, o Padre Porfírio jazia em seu leito de enfermo, mas os visitantes tinham permissão para se aproximar dele. Em silêncio, aproximavam-se do Ancião prostrado, beijavam reverentemente sua mão como sinal da bênção silenciosa que haviam recebido e se afastavam. A francesa que acabara de chegar ao monastério deveria fazer o mesmo. No entanto, quando ela se aproximou do santo, ele subitamente abriu seus olhos muito vivos (embora já quase cegos) e segurou sua mão com firmeza. “Anacoreta, anacoreta!”, dirigiu-se a ela com a palavra grega que, sabiamente, caracterizaria toda a sua trajetória de vida subsequente. Tiveram uma conversa, durante a qual o Padre Porfírio a abençoou para que fosse a Jerusalém e lá se preparasse para o Sacramento do Santo Batismo. Assim, determinou-se uma nova direção na jornada espiritual de Marie Madeleine, que continuou a guiá-la nos passos de seu santo padroeiro — desta vez para sua terra natal, de onde começaram seus trabalhos apostólicos e seu grande ministério de propagação da Ressurreição de Cristo.
Ao chegar a Jerusalém com a bênção do Santo Ancião Porfírio, ela foi acolhida em uma das celas pertencentes ao Patriarcado Ortodoxo Grego, localizadas nos aposentos patriarcais. O complexo de edifícios do antigo Patriarcado de Jerusalém fica na parte norte da Cidade Velha, no local onde, segundo a Tradição, ficava o jardim onde o Salvador foi sepultado. Ocupa uma área considerável e está construído em uma encosta, de modo que suas dependências se situam em diferentes níveis em relação às ruas da cidade. Assim, pode-se atravessar um portão e, após caminhar um pouco, de repente se encontrar em telhados planos, passando para outros aposentos onde igrejas ou celas foram construídas, e abaixo, através das grades das claraboias, pode-se ver as movimentadas ruas da cidade com suas intermináveis multidões de pessoas de todos os tipos. Os Padres do Patriarcado acolheram a francesa que veio até eles para abraçar a Santa Ortodoxia em uma cela como essa. Ela viveu ali por vários meses, lendo avidamente um livro teológico ou espiritual após o outro. À noite, ela assistia aos Serviços na antiga Igreja do Santo Sepulcro, celebradas por clérigos e monges da Irmandade do Santo Sepulcro. Essas Vigílias noturnas, geralmente frequentadas apenas por monges da Irmandade, com as portas fechadas para outros visitantes, são repletas de uma atmosfera de oração inesquecível, que eleva a alma. A Divina Liturgia é celebrada ali, no mesmo local onde outrora repousou o Corpo Puríssimo de Cristo, retirado do Santo Gólgota e sepultado por três dias e três noites na escuridão da gruta mortuária, de onde a Luz da Ressurreição emanou para todo o universo. Por isso, a devota Marie Madeleine procurava não perder nenhuma das preciosas Liturgias noturnas neste santuário tão importante. À tarde, quando havia a oportunidade de descansar após a oração, era bastante difícil fazê-lo devido ao ruído constante da multidão de pessoas na rua, logo abaixo de sua cela. Durante os seis meses que Marie Madeleine passou em Jerusalém, ela quase nunca teve a oportunidade de dormir e descansar o suficiente. No entanto, apesar do cansaço constante e da falta de sono, ela estava feliz e sempre agradecia a Deus pelo tempo que passava na Cidade Santa.
Finalmente chegou o dia para o qual Marie Madeleine se preparara com tanta diligência, e o que o Senhor a guiara em Seus sábios caminhos se cumpriu. Ela recebeu o Sacramento do Santo Batismo e tornou-se cristã ortodoxa. Católicos que se convertem à Ortodoxia geralmente são recebidos na Igreja por meio do arrependimento e de um rito especial de renúncia a todos os falsos ensinamentos e heresias latinas. Se um católico batizado, por algum motivo, não tiver sido crismado, ele é recebido pelo Sacramento do Crisma, que na Ortodoxia ocorre imediatamente após o Batismo (enquanto no Catolicismo é administrado somente aos sete anos de idade, como a Primeira Comunhão). Mas muitos ascetas ortodoxos gregos, que acreditam que o ensinamento mais importante da Santíssima Trindade foi distorcido no Catolicismo, consideram melhor rebatizar aqueles que estão deixando a Igreja Romana para evitar quaisquer incertezas.
Quanto a Marie, ela nunca questionou a necessidade de passar pelo Sacramento ortodoxo do Batismo, especialmente porque ainda lamentava sua apostasia passada. Assim, com grande alegria espiritual, após um longo período de preparação, ela foi batizada nas águas sagradas do Jordão, onde o próprio Senhor Jesus Cristo instituiu este Sacramento. O Batismo foi realizado por um notável asceta e clérigo de longa data do Patriarcado de Jerusalém, o Arquimandrita Timóteo, que por várias décadas foi abade do Monastério dos Doze Apóstolos na cidade de Tiberíades — muito perto do local de nascimento de Santa Maria Madalena. Marie Madeleine recebeu o nome de Batismo, conservando assim um nome duplo, raro na Tradição Ortodoxa, bem como o vínculo espiritual com sua padroeira celestial. O Senhor, providencial e sabiamente, guiou esta nova Maria Madalena de volta à fonte de onde começou o ministério de sua fiel evangelizadora. Da França, onde “sete demônios” de todas as paixões pecaminosas foram expulsos dela pelo arrependimento, através da busca fervorosa por Ele na solidão dos Alpes e peregrinações pela Europa e Grécia, até Jerusalém, o Santo Sepulcro e o local da gloriosa Ressurreição, e até a Galileia, às margens do sagrado Jordão e aos arredores do antigo centro pesqueiro de Magdala. É claro que isso estava longe de ser o fim de sua jornada — era apenas o começo.
Hieromonge Nektary (Sokolov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)







