SERMÃO NA FESTA DOS APÓSTOLOS CHEFES PEDRO E PAULO
Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Queridos irmãos e irmãs,
Saúdo-vos sinceramente pela ocasião da Festa dos santos, gloriosos e louvados Apóstolos Pedro e Paulo!
A Santa Igreja honra especialmente a memória dos principais Apóstolos por seus trabalhos na pregação da fé em Cristo. Nas páginas do Evangelho, a imagem do Apóstolo Pedro aparece em primeiro lugar. Ele está sempre no centro dos acontecimentos, sempre com o Senhor, acompanhando-O tanto nos momentos difíceis quanto nos alegres.
Voltemos nossa atenção para os episódios mais importantes da vida do Apóstolo Pedro. O primeiro evento que destaca seu papel é a confissão de fé em Cristo. Quando o Senhor perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que Eu sou o Filho do homem?” (Mt 16,13), eles deram respostas diferentes; e o Apóstolo Pedro foi direto ao ponto, dizendo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).
Ele não fez essa confissão de fé por si mesmo, mas o Pai Celestial a revelou a ele. Naquele momento, o Senhor lhe deu um novo nome; ele era Simão, mas tornou-se Pedro, que significa “rocha”. Foi sobre a rocha da fé, sobre a confissão de Pedro, que o Senhor fundou a Igreja de Cristo, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18).
Ao lermos o Evangelho, aprendemos não apenas sobre as virtudes de São Pedro, mas também sobre suas fraquezas e pecados como um ser humano como nós. Inicialmente, num acesso de zelo, ele se exaltou acima de todos, declarando: “Ainda que todos neguem o Senhor, eu não O negarei”, e então, no entanto, negou a Cristo. Apesar de sua negação, Simão Pedro encontrou forças para não se desesperar por causa do pecado que havia cometido. Humilhou-se ainda mais e amou a Cristo. Ofereceu arrependimento com lágrimas e foi perdoado e aceito pelo Senhor amoroso.
Como sabemos pela Tradição da Igreja, o Apóstolo Pedro é o guardião do Reino dos Céus — ele possui as chaves das portas do Paraíso. É muito reconfortante para nós, pecadores, saber que não é um anjo que detém essas chaves, mas um apóstolo que será misericordioso com todos aqueles que, como ele, pecaram, mas se arrependeram.
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O outro soldado da fé em Cristo é o Apóstolo Paulo. Ele também é chamado de “Apóstolo dos Gentios”, pois foi o primeiro, movido pelo amor de Cristo, a começar a pregar a fé não apenas aos judeus, mas também às nações pagãs.
São Paulo nunca encontrou Cristo em vida, mas após a morte e ressurreição do Salvador, ele milagrosamente creu nele. Ao contrário de Pedro, que era um simples pescador sem instrução, Paulo foi ensinado pelos melhores mestres da época.
Sendo judeu e fariseu, ele tinha grande zelo pela sua fé. Tendo recebido autoridade do Sinédrio, ele perseguiu os cristãos como uma seita, como apóstatas da fé dos patriarcas.
Mas a vida de Paulo mudou drasticamente quando, a caminho de Damasco, ele viu o Cristo Ressuscitado na luz da glória divina, que lhe disse: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” E ele respondeu: “Quem és tu, Senhor?” E o Senhor disse: “Eu sou Jesus, a Quem tu persegues; dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões” (Atos 9:4-5).
Após a aparição de Cristo no caminho para Damasco, Paulo primeiro ficou cego fisicamente e depois recuperou a visão física e espiritual. Tendo sido batizado em Nome de Jesus Cristo pelo apóstolo Ananias, ele recebeu o dom da fé e do apostolado. Antes de começar a pregar a fé, retirou-se para o deserto da Arábia, onde passou seu tempo em jejum, oração e arrependimento.
Por que a Santa Igreja e todos nós veneramos tanto o apóstolo Paulo, mesmo ele não sendo um dos doze discípulos de Cristo?
Honramos São Paulo como um pregador incansável da fé cristã. Sem dúvida, ele trabalhou mais arduamente do que todos os apóstolos na pregação do Evangelho. São Paulo dedicou seu dom da palavra e seu conhecimento, e toda a sua força, sacrificando-se a Cristo e à Sua Igreja. Sua prolífica produção escrita se revelou nas Epístolas, das quais escreveu mais do que todos os outros apóstolos. E se quisermos ver em nossos corações e conhecer a pureza e a profundidade da fé cristã, dediquemo-nos à leitura e ao estudo das Epístolas de São Paulo. Ali encontraremos alimento abundante para nossas almas e fortaleceremos nossa fé.
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Assim, queridos irmãos e irmãs, em nossos tempos de engano, conservemos a fé pura, como nos pregaram os apóstolos Pedro e Paulo e outros discípulos de Cristo. Os apóstolos alcançaram as alturas da santidade — eles são como faróis e luzes espirituais que nos guiam, enquanto mergulhamos nas trevas do pecado.
Por meio de sua pregação, os apóstolos nos chamam às alturas espirituais. O apóstolo Pedro deseja que nos tornemos participantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência (2 Pedro 1:4). E São Paulo nos encoraja a adquirir, pela obra da fé, essa mesma mentalidade que havia em Cristo Jesus (Filipenses 2:5) e alcançar um estado em que já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim (Gálatas 2:20).
Hieromonge Sebastian (Kuznetsov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)





