Até que, finalmente, alcancemos a unidade da fé. A realidade é que cada um acredita no que bem entende. É por isso que não conseguimos manter relacionamentos normais — apenas relacionamentos baseados no prazer e na satisfação. A fé precisa ser algo compartilhado. Não posso acreditar em uma coisa enquanto você acredita em outra. Jovens — meus alunos — vêm até mim e dizem:
“Não aguento mais continuar assim. Já tive 22 relacionamentos.”
E quando foi que você teve tempo, meu filho — e o que você realmente aprendeu lá? Absolutamente nada. E, depois, surgem as drogas, o álcool, a depressão; tentamos de tudo, mas, no fim, continuamos com o mesmo problema com o qual começamos. Porque esse problema é profundo — é uma questão espiritual, não algo externo. Não se trata de um sacerdote lhe dar permissão para dormir com quem bem entender — você poderia dormir com quarenta pessoas ao mesmo tempo, mas, na manhã seguinte, veria a si mesmo fragmentado em quarenta pedaços.
Se a salvação fosse, de fato, tão fácil e simples, não teria havido necessidade de toda a Economia Divina da nossa redenção. Sabe o que o Ancião Porfírio disse certa vez a um homem que o procurou? O Ancião lhe perguntou:
“Qual é o seu problema?”
“Eu fumo.”
“E quanto você fuma?”
“Dois maços.”
“Bom, acrescente mais quatro a isso”, diz ele.
O homem ficou surpreso, pois, na verdade, o seu problema era algo completamente diferente: “O que, afinal, ele está me dizendo?”
E Cristo diz exatamente a mesma coisa: “Quem é impuro, torne-se ainda mais impuro; quem é justo, continue a praticar a justiça; e quem é santo, continue a ser santificado” (Ap 22,11). Vá em frente e faça isso. Leve até o fim.
Somos livres, mas o santo Apóstolo Paulo diz: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém” (1 Cor. 6,12). Posso fazer qualquer coisa, mas nem tudo é benéfico para mim. O que significa dizer que posso fazer qualquer coisa? Nesse sentido, a forma suprema de liberdade seria detonar uma bomba nuclear — uma que explodisse em todas as direções e aniquilasse o universo inteiro. Mas isso não é liberdade. A liberdade nos é dada para que possamos alcançar a sabedoria, e não para que nos destruamos. A destruição é fácil — para você, para mim, para todos. Mas não é benéfica; esse é o problema. “No mundo tereis tribulações”, contudo, “a vossa alegria, ninguém vo-la tirará” (João 16,33.22) — estas são as palavras de Cristo. “A minha paz vos dou” (João 14,27).
“Até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4,13).
Para que, por fim, possamos chegar ao conhecimento do Filho de Deus. É disso que venho falando há tanto tempo: que possamos ver quem Ele é, como Ele é, o que exatamente Ele veio fazer, qual é o propósito desta vida e em que consiste o seu verdadeiro conteúdo.
Ao estado de um “homem maduro”.
Para que vocês se tornem seres humanos perfeitos. E o que isso significa? Significa alcançar “a medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4,13).
São palavras grandiosas — que vocês possam atingir essa maturidade espiritual. Essa maturidade espiritual é a própria plenitude para a qual Cristo deseja conduzi-los; é o estado espiritual para o qual a Encarnação do Verbo ocorreu. É a concretização daquilo que Deus idealizou para vocês — um estado que Ele preparou para vocês —, a fim de que Ele possa confiar-se a vocês. É verdadeiramente magnífico.
São Máximo, o Confessor, fala sobre o “mistério do repouso sabático” e escreve: “Após Sua morte, Cristo repousa por três dias. Ele repousa, encontra consolo e, ao mesmo tempo, prepara uma nova perspectiva para o universo”. Ele diz também algo verdadeiramente profundo: “Sabe quem são os santos? Os santos são aqueles nos quais Cristo repousa”. Isso é magnífico. Mas será que temos proporcionado consolo a Cristo? Nós nem sequer sabemos o que isso significa, ou por que deveria acontecer. De fato.
Cristo habita na Terra como um servo. Pense bem nisto: Ele lava os seus pés! “Estou no meio de vós como aquele que serve” (Lucas 22,27). Ele explica-lhes o que está a fazer — e fá-lo para que vós O possais imitar. Ele não age assim por ser um “tolo” — embora, num certo sentido, Ele *seja* um “tolo”, uma vez que nos serve e nos atende. Contudo, é desta forma que Deus cuida de nós.
Somos muitos aqui, cada um com a sua própria vontade individual. Mas quantos de nós, aqui presentes, trouxeram consolo a Deus? “Trazer-Lhe consolo” significa ter carregado a Sua Cruz. Significa que, mesmo quando alguém sofreu um dano real, enfrentou perseguição, suportou dor ou passou por tormentos, essa pessoa disse: “Não irei retribuir; em vez disso, cumprirei o mandamento”. E que mandamento é esse? “Oferecer a outra face” (cf. Mateus 5,39). Ofereça a outra face, para que o Espírito Santo possa descer e colocar tudo em ordem. Nesse exato momento — quando você oferece a outra face —, Deus ganha o direito de intervir. Ele mesmo entra em cena e transforma completamente a situação, realizando coisas que, antes, você nem sequer imaginaria serem possíveis.
Mas, se você revidar — desferindo um golpe ainda mais forte —, e a outra pessoa retribuir, e você a atacar novamente, então as palavras do santo apóstolo Paulo se tornam realidade: “Mas, se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não serem destruídos uns pelos outros!” (Gálatas 5:15).
Há uma grande sabedoria em tudo isso. Não faz muito tempo, conversei por telefone com uma professora dos Estados Unidos que, no passado, era uma ateia convicta. Tenho uma certa simpatia por ateus assim, já que eu mesmo fui um deles. Ela acreditava que o cristianismo não passava de um grande absurdo — uma visão que eu também compartilhei um dia. Então, certo dia, alguém deixou uma Bíblia em seu escritório. Ela é uma mulher extraordinária, que hoje está na vanguarda da área de inteligência artificial. Pouquíssimas pessoas no mundo estão, de fato, na liderança da IA, e ela é uma delas. Ela é professora em uma grande universidade.
Então, ela o abriu e deparou-se com os Provérbios de Salomão. “Sabedoria!”, disse ela a si mesma. “Uau, o que diz aqui?” Ela começou a ler e comentou: “O cristianismo não é uma brincadeira. Não é uma brincadeira — não da forma como eu imaginava. É um assunto muito sério”.
Hoje, a Ortodoxia está se espalhando pelo mundo a um ritmo extraordinário. Há apenas cinco ou seis anos, havia 700 mil cristãos ortodoxos na América; agora, são 6 milhões.
Há algumas semanas, representantes de uma antiga igreja anglicana na Índia — uma daquelas estabelecidas pelos britânicos em suas colônias — vieram me ver. Eles disseram:
“Somos ortodoxos.”
Atualmente, eles estão se reunindo com teólogos ortodoxos e visitando mosteiros no Monte Athos; o objetivo deles é que toda a sua comunidade ingresse na Igreja Ortodoxa. Eles já se autodenominam ortodoxos — imitam-nos, vestem batinas pretas e deixam a barba crescer. E, assim, vieram fazer-me uma visita.
Nos Estados Unidos, muitos pregadores tornaram-se ortodoxos. O mesmo está acontecendo na Holanda, na Suíça, na Bélgica, na Suécia e na Inglaterra — pessoas estão se convertendo constantemente. Elas estão descobrindo esta profundidade espiritual: a Ortodoxia, a forma antiga de cristianismo. É exatamente disso que estamos tratando hoje: não se trata de moralismo externo ou legalismo. Ou você abraça esta vida e deixa [sua denominação anterior], ou a recusa e permanece onde está. Elas estão descobrindo elementos que existem dentro da nossa própria tradição — coisas das quais muitos de nós nem sequer temos conhecimento. Até mesmo bispos, com poucas exceções, desconhecem esses elementos.
Os padres sabem de tudo isso. Os monges sabem ainda melhor. Muitos leigos também sabem. Até mesmo os padres de paróquia comuns estão cientes disso. E por quê? Porque eles vivenciam isso. E, uma vez que alguém vivencia algo assim, não consegue simplesmente se afastar. Essa dinâmica possui um potencial imenso — tanto que, em pouco tempo, nos veremos correndo para acompanhá-la. Pelo menos, essa é a impressão que tenho.
E assim, aqueles que estavam em busca vieram até mim e disseram:
“Agora somos seus alunos.”
Foi isso que me disseram.
“O quê?”
E fiquei ali sentado por três horas, conversando com eles em inglês. Percebe? Pois Deus não precisa de nós para realizar o que Ele deseja — ao contrário do que poderíamos pensar. Na verdade, somos nós que precisamos dEle.
Na Grécia, também, encontram-se, de vez em quando, teólogos que desejam “libertar-se” — construir uma espécie de “deus” que responda “sim” a tudo o que pedimos. Mas Ele já disse “sim” a tudo. Não consigo entender o que mais eles poderiam querer. Ele diz:
“Ninguém está impedindo o seu caminho; ninguém jamais invadiu o seu quarto, nem ninguém jamais mexeu no seu bolso.”
Então, onde está a “escravidão” aqui? Quando a questão das uniões civis para homossexuais[2] surgiu pela primeira vez, apenas um outro teólogo e eu nos manifestamos. Todos os demais teólogos permaneceram em silêncio — temendo que, ao se pronunciarem, pudessem perder o favor de seus superiores, bem como financiamentos e diversos programas.
A Igreja manifestou-se de forma sensata e correta: “As pessoas podem fazer o que bem entenderem, mas isso não é casamento”. Em nenhuma igreja, religião, denominação ou filosofia, e em nenhuma época ao longo da história — em lugar nenhum, jamais — algo assim existiu! Você conseguiria citar sequer um exemplo — de qualquer religião, sociedade ou código jurídico, antes destes últimos anos — que definisse o casamento como algo diferente de uma união entre um homem e uma mulher?
É verdade que, agora, isso foi legalizado na Grécia. Mas será que realmente precisamos explicar por que nos opomos a isso? O que mudou dentro de nós? O que era supostamente “errado” por milênios — algo que todos antes de nós não conseguiram compreender, mas que nós, agora, “descobrimos”? “Homem e mulher Ele os criou” (Gênesis 1:27). A palavra e a obra de Deus. Ponto final.
Se alguém não gosta disso, que faça como bem entender. Mas isso me irrita. Sim, é isso mesmo: sinto-me irritado com essa ênfase na libertação desprovida de sabedoria.
O próprio Deus, ao tornar-se humano, agiu exatamente da maneira como nós também devemos agir. Ele não pede que você faça nada diferente daquilo que Ele mesmo fez. A Igreja, contudo, acrescenta certas coisas que Ele próprio não fez.
Ele mesmo nunca se casou, porque não tinha necessidade disso. Por natureza, o ser humano não é compelido a casar-se — pode-se optar por ser monge. Existe essa liberdade. Quando chega a primavera, um animal corre de um lado para o outro, como se estivesse meio enlouquecido, em busca de um parceiro. Mas o que é o ser humano? Uma imagem de Deus. O ser humano não precisa agir dessa maneira. Somos livres a esse respeito, ou não? Ou seremos livres apenas para escolher o mal?
Hoje, todos nós estamos um tanto enlouquecidos. Isso é simplesmente um fato. Contudo, para aqueles que desejam voltar a viver plenamente, existe um caminho — um caminho verdadeiramente alegre. Em toda a minha experiência, as únicas pessoas que encontrei e que eu poderia chamar, de fato, de felizes — e digo isso com toda a honestidade — são aquelas que escolheram, livremente, seguir a sabedoria ao longo desse caminho.
E, assim, uma pessoa nunca está verdadeiramente sozinha. Isso é magnífico. Com o pecado — com o pecado não arrependido —, a pessoa permanece sozinha. Afinal, você assume para si a responsabilidade pelo ato insensato que pretende cometer. Mas por que Deus haveria de consentir com isso? Não vejo por quê. Deus deveria permitir que você desfrute de Sua graça enquanto, ao mesmo tempo, passa o dia e a noite matando pessoas? Certamente que não. Ou talvez você as mate de forma simbólica? Hoje em dia, já praticamos esse tipo de morte simbólica. Não saímos por aí esfaqueando as pessoas.
Alguns teólogos preocupam-se com a forma de nos libertar completamente de Deus — de nos tornar o mais livres possível, para que a era moderna possa ser verdadeiramente livre. Certa vez, li em um livro de alguém — que já não está mais entre nós — a sugestão de que “a Igreja não deveria se colocar em oposição à ciência, à sociedade ou à política”. Não deveria se colocar em oposição? De que Igreja você está falando? Será que você sequer conhece a Igreja? Onde você a encontrou? Como é que você a conhece, afinal?
Essas questões assumem, aqui, um caráter ameaçador. E não se pode simplesmente permanecer diante do mal social, da loucura e da decadência moral sem dizer nada — tudo isso apenas para não incomodar nem ofender ninguém.
Em conclusão, eu diria que nenhuma dessas coisas é, nos dias de hoje, nem progressista nem conservadora. Elas representam a intervenção de Deus na história. Deus criou o mundo e sabe como ele funciona. Deus criou os seres humanos e sabe o que eles desejam. Se discordarmos de qualquer um desses pontos, somos inteiramente livres para escolher o caminho que bem entendermos.
A sabedoria está reservada para aqueles que seguem o caminho e a vereda de Deus. É isso que devemos buscar, em vez de procurar meios de evitá-lo — embora evitá-lo fosse fácil. Contudo, chegará um tempo em que toda a humanidade — cada tribo e cada língua — confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. No fim, todos O reconhecerão. Por ora, estamos atravessando esta grande prova da verdade, que traz em si um propósito profundo: cada pessoa está, neste momento, revelando a sua própria escolha e o nível que alcançou.
Sacerdote Nikolaos Loudokivos
tradução de monja Rebeca (Pereira)







