Já conversei sobre esse assunto diversas vezes com várias pessoas e participei de um encontro público relevante. Tanto nessas conversas quanto neste post no Thread, percebo uma ideia interessante: uma máquina pode fingir intimidade, mas nunca se torna uma amiga de verdade.
Devo admitir que entendo essa tentação e não vou fingir que não vejo as vantagens de ter um parceiro de conversa assim. Eles são pacientes e sempre acessíveis, não interrompem nem exigem nada de nós, podemos recorrer a eles tarde da noite, podemos fazer a pergunta mais constrangedora e eles não nos cansarão, não nos julgarão nem irão embora.
E quanto mais penso nisso, mais claramente vejo uma coisa estranha, quase ofensiva: tudo o que torna um interlocutor assim tão conveniente é também a razão pela qual ele nunca poderá nos amar ou se tornar um verdadeiro interlocutor.
Afinal, ele me aceita não porque me ama, mas porque não me vê. Ele não se importa com quem eu realmente sou, e é precisamente por isso que me sinto tão em paz com ele — ele é incapaz de se horrorizar comigo ou de se afastar. Mas, pensando bem, ser aceito por alguém que não te vê de forma alguma é a solidão mais profunda que existe, porque é como se eu não estivesse lá, apenas meu reflexo, com o qual aprendi a conversar.
E aqui, a meu ver, reside a verdade mais importante. O amor só existe onde se pode ferir e ser ferido, porque só quem ama verdadeiramente tem algo a perder, quem pode partir e ainda assim permanecer, quem pode ser ofendido e ainda assim perdoar. Mas nós buscamos um companheiro que não possa ser ferido e que não nos machuque, fugindo assim da única condição sem a qual nenhum amor é possível. Queremos calor sem risco, sem perceber que calor sem risco já não é calor. Portanto, o companheiro ideal e invulnerável não nos salva da solidão, mas silenciosamente e imperceptivelmente a aprofunda.
E se realmente é mais fácil para uma pessoa viva confiar em uma máquina, então, honestamente, essa questão não é tanto para a máquina, mas sim para você e para mim, porque significa que não há ninguém por perto que nos ouça e não fuja quando as coisas ficarem difíceis, e nós, os vivos, muitas vezes nos cansamos, julgamos e partimos justamente quando mais precisamos ficar.
Mas, precisamente porque o amor é impensável sem ferir, vale lembrar que o próprio Deus não escolheu permanecer invulnerável. Ele poderia ter nos falado em segurança, como uma voz do céu, mas, em vez disso, veio a nós como uma Pessoa viva, que poderia ser incompreendida, traída e morta, e que, tendo nos visto por dentro, ainda assim não nos rejeitou. É por esse amor, que nos vê por completo e não se afasta, que uma pessoa realmente anseia quando, por solidão, começa a conversar com um algoritmo.
Portanto, a questão levantada em “Thread” é realmente importante. E a resposta, acredito, não é discutir com máquinas, já que elas não têm culpa de nada, mas parar de nos esconder das pessoas e de Deus, que é o único que sabe como nos amar verdadeiramente.
Metropolita Ambrósio (Ermakov)
tradução de monja Rebeca (Pereira)








