Hoje contemplamos a Menina recém-nascida e compreendemos quão grande é o amor de Deus. Ouvimos o choro de uma criança pequena e aprendemos sobre a sabedoria inefável da Trindade. Olhamos para a criança humana e, através de nossas lágrimas, vemos quão exaltado o ser humano se torna pelo amor — exaltado até a luz radiante do trono da Vida.
Neste dia, nasceu a Santíssima Virgem Theotokos. Ela Se ergue como o sol a partir das lágrimas da oração, da bondade de uma velhice abençoada e da pureza sagrada. A Menina brilha no mundo como fruto do milagre de Deus, maior que os céus, preparando-Se para dar à luz o Criador de todas as coisas.
A pequena Criança, cujo choro mal se ouve hoje, tornar-Se-á a Intercessora do gênero humano. A Menina é leve como uma pena, e ainda assim mais vasta que os céus. Ela é apenas um pequenino bebê, aninhada ao seio da avó do Senhor, preparando-Se para tornar-Se templo santificado e paraíso espiritual.
Ela é uma igreja, pois foi capaz de acolher e dar repouso ao Rei Celestial. Ela é o templo da eternidade, pois nela o próprio Deus revestiu-Se da essência humana. O Criador da galáxia, por meio de um amor humilde, é totalmente contido no ventre pequeno e virginal de Sua Mãe. Ela é o templo do Cordeiro Imaculado de Deus, pois carrega e embala em Seus braços Aquele que sustenta toda a criação.
A Mãe de Deus é a Mãe da Igreja, pois ninguém jamais pode herdar Cristo se não O der à luz em Sua alma, assim como a Virgem do amor celestial O deu à luz na carne. Ninguém pode receber a Fonte da Vida se não sentir as lágrimas divinas e perfumadas da virgindade nos olhos d´Aquela que O deu à luz. Ninguém pode amar o Amante da Humanidade se não se tornar espiritualmente uma mãe em sua alma, a fim de dar-Lhe à luz misticamente. A *theosis* (divinização) da natureza humana é a imagem e o desdobramento da encarnação do Senhor a partir da Virgem. Quando Ela embala Deus em Seus braços, miríades de anjos clamam em louvor. Quando beija Seu Filho, o universo se enche de amor divino. Quando sussurra ternamente ao Menino, o mundo inteiro compreende o Seu próprio sentido oculto.
Mas, mais do que um templo, a Mãe de Deus é um paraíso espiritual e místico, que fala da mais alta vocação do homem ao amor eterno. A Virgem é a sarça que arde sem se consumir, na qual a matéria é santificada e libertada para sempre da corrupção — inflamada de amor por Deus, mas não destruída pela corrupção.
Sua virgindade fecunda representa a existência do paraíso, onde a matéria é permeada pela graça e supera as leis da natureza pelas leis do amor. Sua pureza, que dá à luz a Vida, é uma metáfora teológica para o paraíso — a imagem mística do Reino dos Céus, o caminho para o qual se dirige o universo sobrecarregado de pecados. Toda pessoa que herda o paraíso é, na verdade, aquela que alcançou um amor maternal por Deus — velando noites em cuidado e vigilância por Ele e fazendo-O crescer nas profundezas do coração, para que Ele Se torne o seu tudo.
A santa Virgem é a fonte do amor, pois Ela completa, em Si mesma, o amor de um homem que chora por estar privado da graça e todo o desejo de Deus de unir-se a nós. Suas misericórdias derramam-se sobre a humanidade sem aguardar consentimento ou pedido, espalhando incessantemente a doçura do amor que emana de Seu coração maternal. O universo inteiro, grávido de Deus, contempla com amor Aquela que O deu à luz e aprende a encher-se da luz que jorra do Eterno. A humanidade penetra nos mistérios da história e aprende a transformação eucarística de uma mãe em energia pela graça — como na Natividade, que é virginal, e na morte, que se torna garantia de vida.
Hoje, contemplamos a Virgem recém-nascida e compreendemos a grandeza do amor de Deus. Ouvimos o choro de uma menina e aprendemos sobre a sabedoria inefável da Trindade. Olhamos para a criança humana e, através de nossas lágrimas, vemos a que alturas um ser humano pode ascender pelo amor: à luz resplandecente do trono da Vida. Beijemos o Menino em nossas almas e aprendamos na escola eterna da teologia.
Seu silêncio é mais precioso do que todas as palavras deste mundo. Afinal, o maior poder do universo é o amor, que dá vida, oferecendo-se em sacrifício, e que dá à luz uma criança. E a maior luz de todo o universo é a força para amar, por toda a eternidade, aqueles que mataram o Seu Filho.
Sacerdote Ioan Valentin Istrati
tradução de monja Rebeca (Pereira)







