Se Cristo está perto, a morte está vencida!
O Apocalipse do Apóstolo João é o último livro do Novo Testamento. O Novo Testamento não é um livro só, mas uma coleção de vinte e sete livros. O último livro, o Apocalipse do santo Apóstolo e Evangelista João, o Teólogo, foi também o último a ser escrito. É um texto profético que fala sobre eventos futuros, sobre eventos que estão acontecendo e sobre eventos que já aconteceram, explicando-os de uma maneira peculiar, através de imagens, visões, inspiração e o uso de símbolos. O santo Apóstolo João, enquanto estava em Patmos, viu o que Deus lhe mostrou. Se você já esteve na ilha de Patmos, sabe que ainda existe a gruta onde o Apóstolo João, enquanto orava, teve a revelação descrita no livro do Apocalipse.
A palavra “apocalipse” significa “remover o véu daquilo que está oculto, daquilo que está nas trevas, daquilo que está encoberto”. É a manifestação de coisas, eventos e mensagens que Deus deseja transmitir ao homem. E essa revelação foi dada por Deus ao apóstolo João porque precisávamos conhecê-la. Por que precisamos conhecê-la? O caminho deste mundo é linear; leva a um fim. Cristo nos falou sobre o fim do mundo; Ele disse ao mundo que um dia ele terminará.
Certos eventos e sinais ocorrerão antes do fim, e é importante que nós, cristãos, estejamos muito atentos: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação” (Mt 26:41). Esta é a mensagem de Cristo. Por que Ele está falando sobre tentação? Porque quanto mais nos aproximamos do fim, mais falsos cristos e falsos profetas aparecerão. Heresias se multiplicarão e muitas pessoas surgirão se passando por profetas, povo de Deus, santos e aqueles que recebem mensagens de Deus.
O que todos esses falsos profetas estarão procurando? Eles arrastarão as pessoas atrás de si. É muito perigoso, porque não se trata apenas de dano físico. Por exemplo, alguém pode nos matar, pode nos decapitar. Esse mal afetará apenas o nosso corpo. Cedo ou tarde, vamos morrer. Se nos decapitassem alguns anos antes, o mundo não acabaria. Mas se perdermos a nossa alma, essa é a destruição eterna. Se formos tentados, será por toda a eternidade. É melhor para um homem morrer, ferir o seu corpo, do que perder a sua alma. Mas falsos profetas, falsos cristos, falsos messias procuram destruir as nossas almas, desviar-nos do verdadeiro caminho.
A busca da verdade não é uma ideologia — é a Igreja. Cristo fez da Sua Igreja a coluna e o fundamento da verdade (1 Timóteo 3:15). O Corpo de Cristo é a Igreja (todos nós, não apenas os bispos, padres e diáconos), tal como os Apóstolos e santos a organizaram e nos transmitiram. E a Igreja é a guardiã da verdade, a guardiã dos livros do Novo Testamento. Mas os livros do Novo Testamento não têm valor a menos que sua verdade seja selada pela Igreja. A Igreja escolheu vinte e sete livros e disse que eles contêm a verdade, e eles constituem os livros das Sagradas Escrituras inspirados por Deus.
Nas cartas de Santo Atanásio, o Grande, lemos que, de acordo com as decisões dos Concílios de bispos da Igreja que ocorriam naquela época, muitos livros das Sagradas Escrituras (alguns em particular, incluindo o Apocalipse) não foram aceitos por algumas Igrejas locais. Algumas Igrejas locais acreditavam que o Apocalipse de São João, o Teólogo, não pertencia à coleção dos livros do Novo Testamento, como a Epístola de Paulo aos Hebreus. Em nenhum lugar se diz que o Evangelho de Mateus foi escrito pelo Apóstolo Mateus, ou que o Evangelho de Marcos foi escrito pelo Apóstolo Marcos. Foi a Igreja que selou que este texto pertence a São Marcos, este a São João, este a São Paulo. A Igreja estabeleceu isso.
Houve heresias desde o primeiro ano após a Ascensão do Senhor ao Céu e o início da pregação apostólica. Os hereges tentaram refazer a Tradição Apostólica de acordo com sua própria percepção e modo de pensar. O que fizeram? Escreveram textos e disseram que este texto foi escrito, por exemplo, pelo Apóstolo Paulo. E naquela época, como poderiam descobrir quem o escreveu? Assinaram-nos como sendo de São Paulo, de São João, de São Tomé, e ofereceram-nos aos cristãos — os chamados evangelhos apócrifos que todos temem.
Os evangelhos apócrifos são principalmente textos escritos por hereges, sobretudo gnósticos (uma heresia nos primeiros anos da existência da Igreja, que confundiu muito as pessoas naquela época). Eles escreveram textos, assinando-os com os nomes dos Apóstolos — São Tiago, São Tomé, São Paulo e os distribuíram entre os cristãos, causando grande confusão. Os cristãos não conheciam a autoria precisa de muitos textos. Seriam verdadeiros? Seriam autênticos? Era uma grande confusão. A Igreja declarou então: “Aceitamos como verdadeiros apenas os textos escritos pelos discípulos de Cristo, com base na visão dos discípulos dos Apóstolos”. Havia discípulos dos Apóstolos que ainda estavam vivos naquela época — São Policarpo, Santo Inácio e outros sucessores dos Apóstolos que sabiam do que seus mestres falavam.
Hoje, frequentemente ouvimos absurdos e até blasfêmias atribuídas a São Paisios. Convivi com ele por dezesseis anos e nunca ouvi tais coisas dele. Mas alguém que o visitou uma vez, ou talvez nem o tenha visto, está escrevendo todo tipo de coisa sobre ele. Mas aqueles de nós que estiveram próximos a ele, o ouviram e sabiam do que ele falava, podem julgar se o Ancião Paisios disse todos esses absurdos que lhe são atribuídos. Mesmo durante sua vida, as pessoas vinham e diziam: “O Ancião Paisios disse que a guerra começará em três dias!” Ele não disse nada disso, mas essas palavras foram transmitidas oralmente.
Certa vez, um homem veio até ele e disse: “Geronda, em Atenas ouvimos dizer que a guerra vai começar. É verdade?”
“Certo, e o que você pretende fazer se a guerra começar?”
“Seria bom saber se a guerra vai começar. Assim, poderíamos comprar mais de tudo.”
“O que você pretende comprar?”
“Leite, sal.”
“Meu querido, se a guerra começar, você vai beber leite? Vai cozinhar alguma coisa para comer? Se a guerra começar, você vai pensar em comida e vai se alegrar por ter a despensa cheia? E se você não estocar nada, vai se sentir em perigo? O que você está pensando?”
As pessoas frequentemente distorciam o significado de suas palavras. Certa vez, um homem veio visitá-lo e disse que em sua diocese havia um bispo fulano de tal. O Ancião disse que o conhecia. Então, esse homem foi até o bispo e disse: “Fui falar com o Ancião Paisios e ele disse que o conhece e que o senhor é maravilhoso!” Mas o Ancião não disse nada parecido.
Em outra ocasião, um monge, um tanto preguiçoso, simples, intrometido, um pouco rude, veio visitá-lo em sua calícia. Ele veio e sentou-se com Geronda por horas. O Ancião ficou irritado e perguntou: “Já que o senhor não tem perguntas, me dê dez minutos para ficar em silêncio e orar.” O monge continuou sentado e perguntou sobre o tempo, se ia chover, se os tomates cresceriam, se as uvas amadureceriam. Será que Geronda tinha tempo para essas coisas? Mas ele não queria irritar o monge. Então, convidou-o para irem juntos à igreja e lerem o Saltério. O monge sentou-se na igreja e o Ancião foi ler o Saltério. Ele só tinha um pulmão, então, de vez em quando, parava para respirar fundo. Um homem se aproximou da janela da igreja, e o Ancião fez um sinal para que ele esperasse um pouco. Esse monge preguiçoso foi embora e depois enviou uma carta ao Ancião. Ouçam o que ele escreveu: “Não bastava que você me mantivesse em sua casa por tantas horas, me fazendo perder tanto tempo, você também me considerou possuído, me levou à igreja para ler o Saltério sobre mim e depois me ameaçou.”
Agora é fácil fazer uma declaração, dizer às pessoas que você não tem nada a ver com essa pessoa, essa teoria, essa notícia. Você pode informar a sociedade pela internet, rádio, televisão, jornais e defender a verdade. Na época dos Apóstolos, havia um problema sério na Igreja até a era de São Basílio o Grande: hereges escreviam coisas, assinavam com os nomes de santos, distribuíam seus textos entre os fiéis, e isso causava grande confusão.
A Igreja disse: “Não aceitamos nada além do que os Apóstolos, seus sucessores e os discípulos de seus sucessores nos ensinaram”. Assim surgiu o que a Igreja chama de Tradição Apostólica. Quem foram as testemunhas oculares de Cristo? Os Apóstolos. O que os apóstolos disseram está correto. Assim foi possível reunir os ensinamentos da Igreja e determinar os Cânones de verdade dos textos da Sagrada Escritura. As pessoas poderiam dizer que esses livros são verdadeiros, autênticos, portadores de Deus, eles constituem o Novo e o Antigo Testamento.
Desta forma, a Igreja resolveu este difícil problema, que encontrou a sua conclusão final nas epístolas de Santo Atanásio, o Grande. Esta é uma das respostas aos protestantes, às Testemunhas de Jeová e a todos os que dizem hoje: “Reconhecemos apenas as Sagradas Escrituras, mas não a Igreja e a sua Tradição”. Mas o que eles estão dizendo? As Sagradas Escrituras foram determinadas pela Igreja, que disse que eram divinamente inspiradas. Santo Atanásio e a assembleia dos bispos disseram isso. Então, como você pode aceitar apenas os livros que a Igreja escolheu e ao mesmo tempo rejeitar a própria Igreja? É um absurdo. A Igreja estabeleceu a autoridade e a verdade das Escrituras. A Igreja é o selo da verdade. A Igreja coloca o seu selo no que é verdadeiro e não reconhece o que é falso ou falsificado. A única maneira confiável de compreender e distinguir o que Cristo nos disse sobre falsos profetas, falsos messias e falsos cristos é a Igreja, a arca da verdade e da salvação.
Metropolita Atanásio de Limassol
tradução de monja Rebeca (Pereira)







