XVI Domingo após o Pentecostes: II Cor.6:1-10; Mt. 25:14-30.
A Parábola dos Talentos oferece a ideia de que a vida é um momento de negociação. Isso significa que é necessário aproveitar esse tempo com pressa, como uma pessoa correria para o mercado para negociar o que puder. Mesmo que alguém tenha trazido apenas itens baratos e pouco sofisticados ele não se senta com os braços cruzados, mas consegue chamar compradores para vender o que tem e depois comprar para si mesmo o que precisa. Ninguém que recebeu a vida do Senhor pode dizer que não possui um único talento — todo mundo tem alguma coisa, e não apenas uma coisa; todos, portanto, têm algo com que negociar e obter lucro. Não olhe em volta e calcule o que os outros receberam, mas olhe bem para si mesmo e determine com mais precisão o que está em ti e o que podes ganhar com aquilo que tem, e então aja de acordo com este plano sem preguiça. No Julgamento, não serás questionado por não teres ganhado dez talentos se tinhas apenas um, e nem sequer te será perguntado por que ganhastes apenas um talento com o teu, mas te dirão que ganhastes um talento, metade de um talento ou um décimo do seu valor. E a recompensa não será porque recebeste os talentos, mas porque ganhaste. Não haverá nada com que se justificar – nem com nobreza, nem pobreza, nem falta de educação. Quando isso não for dado, não haverá dúvidas sobre isso. Mas tinhas mãos e pés. Então serás questionado: o que ganhaste com eles? Tinhas uma língua, o que ganhaste com isso? Desta forma, as desigualdades dos estados terrenos serão niveladas no julgamento de Deus.
Domingo Anterior da Elevação da Santa e Venerável Cruz: Gál. 6:11-18; João 3:13-17.
Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também o Filho do Homem deve ser levantado: para que todo aquele que n´Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. A fé no Filho de Deus, crucificado na carne por nossa causa – é o poder de Deus para a salvação, a fonte viva de aspirações e disposições morais vivificantes, e o receptáculo da graça abundante do Espírito Santo que habita sempre no coração, e de inspirações secretas em tempo útil, na hora de necessidade, enviadas do alto. A fé combina as convicções da pessoa, atraindo a boa vontade de Deus com o poder do alto. Ambos são o que constituem a posse da vida eterna. Enquanto esta vida é mantida intacta, o cristão é inflexível, porque ao se apegar ao Senhor ele é um em espírito com o Senhor, e nada pode vencer o Senhor. Por que as pessoas caem? em virtude do enfraquecimento da fé. As convicções cristãs enfraquecem – e a energia moral também enfraquece. Enquanto esse enfraquecimento ocorre, a graça é expulsa do coração e os impulsos malignos surgem. A inclinação para esses impulsos surge numa hora conveniente e ocorre uma queda. Sê um guardião vigilante da fé em tudo o que ela abrange e não cairás. Neste sentido São João diz que quem nasce de Deus não peca.
São Teófano, o Recluso
tradução de monja Rebeca (Pereira)







