As pessoas concluem cada vez menos, apesar de o cotidiano estar repleto de dispositivos e mecanismos.
É incrível: uma máquina de lavar roupa lava a roupa, uma máquina de lavar louça lava a louça, o transporte leva as pessoas por longas distâncias em pouco tempo e os dispositivos de comunicação nos permitem interagir uns com os outros. E, no entanto, ainda não realizamos nada.
As pessoas que cavalgavam e aravam com bois realizavam mais em suas vidas, e o que criavam era mais forte, mais durável e mais duradouro. Vale a pena observar esse desequilíbrio na vida e perguntar: por que é assim e não de outra forma? Por que, apesar de todos os avanços na tecnologia e na ciência aplicada, estamos nos tornando não colossos e gigantes, mas poeira indefesa espalhada pelo vento?
A resposta encontra-se no primeiro Salmo. Ele elogia o homem que medita na lei do Senhor dia e noite. Obviamente, isso não significa debruçar-se sobre um livro para sempre, mas sim preservar as palavras de Deus nas tábuas do coração e meditar constantemente em Deus, independentemente das circunstâncias externas.
Assim, essa pessoa consciente de Deus, essa pessoa engajada na atividade de oração da mente e do coração, é comparada no Salmo a uma árvore “plantada junto a ribeiros de água”. Tal árvore “dá o seu fruto no tempo certo, e a sua folha não murcha; e tudo quanto ela faz prospera”.
O homem, em geral, assemelha-se a uma árvore, ao menos na verticalidade da sua coluna vertebral. Como uma árvore, o homem está de pé no chão, mas esforça-se para subir. Ele precisa dar frutos, caso contrário será impiedosamente açoitado pela esterilidade.
As folhas são as obras exteriores do homem, que têm valor relativo e agradam aos olhos, mas não satisfazem.
Assim, para o servo de Deus, “a folha não murchará”, e o fruto aparecerá no tempo devido. Mas os ímpios “não são assim”. Eles são precisamente “pó que o vento dispersa da face da terra”.
Uma civilização que se esqueceu de Deus e deixou de rezar é uma civilização “levada pelo vento”. São pessoas que estão sempre com pressa e nunca chegam a lugar nenhum. Estão constantemente ocupadas e preocupadas, mas depois da morte, nada resta delas, nem mesmo a sua memória.
A vida é um sonho, um sonho — esse é o destino deles. Eles têm vida, mas não têm existência, porque lhes falta instrução constante na Lei do Senhor.
Portanto, se você perceber que tudo o que lhe restou foi confusão, não procure ajuda de secretárias, não faça cursos de logística ou ergonomia, não encha sua agenda com anotações e lembretes.
Abra as Escrituras, aprenda o primeiro Salmo, depois o segundo, e assim por diante. Comece a estudar a Lei do Senhor. E a sua folha não murchará, e você prosperará em tudo o que fizer.
Arcipreste Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)







