É difícil surpreender uma pessoa moderna. O sabe-tudo superficial tem respostas prontas para tudo. O homem moderno, que parece saber tanto, deixa de compreender qualquer coisa. Não fique surpreso.
“Saber” e “compreender” são conceitos completamente diferentes. Compreender significa amar. O órgão da compreensão e o órgão do amor são um e o mesmo. Este é o coração. Coração, não cérebro. Não foi à toa que os antigos egípcios guardavam o coração de uma pessoa falecida, assim como o fígado e outros órgãos importantes, em recipientes especiais, e jogavam fora os cérebros. “É preciso cérebro para fazer ranho”, pensaram os egípcios, e aplaudo esta coragem intelectual.
Eles atribuíram imaginação, memória e outras propriedades da consciência ao coração. Até hoje em inglês, “saber de cor” soa como “saber de coração”. Não com o cérebro, mas com o coração. E isso está entre os britânicos – as pessoas mais realistas e materialistas do planeta.
O homem moderno atribui todas as suas habilidades superiores ao seu cérebro. E, filtrando uma massa de informações desnecessárias através de sua cabeça miserável e sobrecarregada, o homem moderno se orgulha de sua onisciência. Mas ele não ama nada e é capaz de compreender verdadeiramente pouco.
Aos seus próprios olhos, ele se vê como educado e civilizado, como se estivesse no ápice de uma vasta pirâmide construída especialmente para ele. Ele imagina todas as gerações passadas como selvagens, dignos apenas de repousar na base da própria pirâmide em cujo ápice ele supostamente deveria estar. Nem por um segundo o homem moderno consegue considerar ou imaginar que as pessoas que viveram antes da “era dos celulares” eram mais inteligentes e profundas do que ele. Que eram movidas por sentimentos profundos e poderosos, que tinham percepções vívidas, que suas vidas eram repletas de descobertas, vitórias e realizações.
Em essência, o homem moderno tornou-se terrivelmente superficial, mas ao mesmo tempo internalizou a falsa ideia de sua própria grandeza. A obra “A Roupa Nova do Imperador”, do escritor dinamarquês, em sua forma mais pura.
Arciprestre Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)








