Queridos irmãos e irmãs em Cristo,
Ao nos reunirmos na paz e na luz de nosso Senhor, voltamos nossa atenção para algo que parece inofensivo para muitos, mas que, visto através dos olhos da nossa fé, revela um profundo perigo espiritual: o Halloween. Nos últimos anos, o mundo secular tem se apropriado do que considera um feriado inofensivo de fantasias, doces e festividades. Mas nós, como cristãos ortodoxos, devemos abordar esse fenômeno cultural com discernimento. Para nós, o Halloween não é simplesmente uma festa à fantasia. É um momento em que as trevas são celebradas e a morte é banalizada. Este não é o caminho de Cristo, que é Ele mesmo a Luz e a Vida.
São João Crisóstomo, o pregador de boca de ouro, disse certa vez: “Façam tudo como se estivessem na presença de Deus”. Podemos afirmar com confiança que nos vestir de fantasmas, bruxas ou demônios é algo que faríamos na presença de nosso Senhor? O Halloween tem raízes em antigas práticas pagãs, e essas raízes não são inofensivas; elas carregam uma profunda ressonância com o demoníaco. A veneração do medo, do horror e do macabro jamais poderá glorificar a Deus. Nossos Santos Padres, de São Basílio o Grande a São Gregório, o Teólogo, sempre nos alertaram para que fôssemos vigilantes quanto às influências que acolhemos em nossos lares, nossas famílias e nossos corações.
O Ancião Cleopa da Romênia, uma das vozes mais recentes da Ortodoxia, nos lembrou: “O diabo não dorme e tem muitas ferramentas para nos desviar”. O Halloween é uma dessas ferramentas, meus amigos. Quando celebramos o Halloween, mesmo com intenções inocentes, abrimos a porta para influências e símbolos que não são de Deus. Os esqueletos, as fantasias fantasmagóricas, os feitiços e os símbolos ocultos — tudo isso nos afasta de Cristo, convidando-nos, em vez disso, a uma fascinação pela morte e pelas trevas. O Halloween ensina às crianças, as mais inocentes, que esses símbolos de morte e medo são “divertidos” ou “apenas de faz de conta”. Mas essas impressões não são inofensivas. Elas ensinam nossos filhos a abraçar o medo, a encontrar humor no mórbido e a banalizar a verdadeira natureza do mal.
Pensem, então, no que estamos mostrando aos nossos filhos quando celebramos este feriado. São Paulo nos adverte em sua carta aos Efésios: “Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz” (Ef 5,11). Este mandamento não se limita a evitar o mal, mas sim a denunciá-lo. Como cristãos ortodoxos, somos chamados a ser testemunhas da Luz, não participantes das trevas. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto a cultura ao nosso redor define para nossos filhos o que é divertido ou aceitável se isso contraria o Evangelho. Nosso Senhor Jesus Cristo nos disse: “Vós sois a luz do mundo. Uma cidade situada sobre um monte não pode ser escondida” (Mateus 5:14). Nós somos essa cidade e não podemos diminuir a nossa luz para nos encaixarmos ou concordarmos com o que os outros fazem.
Alguns podem argumentar que o Halloween é inofensivo, que podemos participar de forma descontraída sem nenhum dano real. Mas os Santos Padres nos ensinam repetidamente que nosso caminho é o da pureza e da santidade. Não flertamos com as trevas para ver o quão perto podemos chegar sem cair nelas. Os Santos Padres chamam essa mentalidade de perigo espiritual. Santo Inácio Brianchaninov, em seus escritos sobre a guerra espiritual, disse: “Não abram a porta para as paixões, mesmo que batam suavemente”. O Halloween pode parecer uma batida inocente, mas é uma fresta por onde as trevas podem se infiltrar em nossas vidas e em nossos lares. Mesmo uma pequena abertura, queridos irmãos e irmãs, pode permitir a entrada de uma grande escuridão.
Então, o que fazemos em resposta? Como direcionamos a atenção de nossos filhos para o que é sagrado e belo sem que se sintam isolados do mundo? A resposta se encontra em Cristo, que é o centro de nossas vidas, a luz que brilha nas trevas. Não precisamos de um feriado que se deleite no medo ou na morte, porque temos um Deus que venceu ambos. Em vez disso, busquemos maneiras de preencher nossos lares com oração, amor e a beleza da nossa fé ortodoxa. Por exemplo, na noite anterior ao Halloween, em 31 de outubro, celebramos a Festa de São João de Kronstadt, um homem que dedicou sua vida à caridade, à oração e ao serviço. Por que não voltarmos nosso foco para celebrar a vida dos santos, que nos aproximam do amor e da luz de Deus? Por que não realizar encontros que enfatizem nossos valores cristãos, nossa alegria e nossa comunhão?
Não basta, queridos amigos, simplesmente nos abstermos do Halloween. Devemos preencher ativamente a vida de nossos filhos com exemplos de bondade e santidade. Se lhes mostrarmos a alegria que vem de uma vida em Cristo, eles não ansiarão pela falsa animação do Halloween. Se os ensinarmos a amar os santos, eles não serão atraídos por esqueletos e fantasmas. Nossos lares, nossas famílias e nossas vidas devem estar repletos de oração, ícones e lembranças do amor de Deus, para que as falsas “alegrias” do mundo não tenham poder sobre nós.
Assumamos, então, um firme compromisso: honrar a Deus com nossas escolhas, proteger nossos filhos das influências mundanas que os afastam de Cristo e estar sempre vigilantes contra os enganos do maligno. São Serafim de Sarov nos lembra: “Adquira o Espírito da Paz, e milhares ao teu redor serão salvos”. Que nossos lares sejam lugares de paz, oração e pureza, para que todos que entrarem sintam a presença de Deus e nossos filhos cresçam como filhos da Luz, e não das sombras.
Em Cristo, temos a força para nos destacarmos do mundo, para escolhermos a santidade em vez da conveniência e para levarmos luz onde outros celebram as trevas.
Abracemos plenamente esse chamado, com alegria, pois sabemos que nosso Senhor Jesus Cristo venceu o mundo.
Amém.
Sacerdote Nectarios Yangson
tradução de monja Rebeca (Pereira)







