JUVENTUDE DO APOCALIPSE – SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS (PARTE 1)

ARCEBISPO JOÃO MAXIMOVITCH

João nasceu em 1896 em uma aldeia no sul da Rússia. Durante os anos da revolução, João e sua família evacuaram para a Sérvia. Ele foi tonsurado monge e, pouco depois, ordenado sacerdote.

As pessoas começaram a notar que ele ficava acordado até tarde da noite, depois que todos já estavam dormindo. Então descobriu-se que ele quase não dormia e nunca em uma cama, permitindo-se apenas uma ou duas horas por noite de descanso desconfortável, sentado ou curvado no chão em oração. Anos depois, ele próprio admitiu que, desde o tempo em que se tornou monge, não dormira deitado em uma cama.

Aos trinta e oito anos de idade, o monge João foi feito bispo, sucessor dos Apóstolos, e enviado a Xangai, na China, para ajudar o povo sofredor de lá. Ao ver em Xangai muitas crianças sem teto, iniciou um orfanato com pouquíssimos recursos. Recolhia crianças doentes e famintas das ruas, becos escuros e favelas de Xangai, alimentava-as, vestia-as e lhes dava amor.

Nas favelas de Xangai, havia casos em que cães devoravam bebês que haviam sido jogados em latas de lixo. Certa vez, quando João saiu para procurar crianças sofredoras, comprou uma garrafa de bebida alcoólica e caminhou destemidamente pelas ruas perigosas das favelas. A pessoa que o acompanhava ficou completamente confusa sobre o motivo de um monge comprar uma garrafa de bebida. Ele parou diante de uma lata de lixo, olhou dentro e encontrou um recém-nascido chorando no lixo. Quando estendeu a mão para pegá-lo, ouviu uma voz rosnando de um canto escuro de um prédio. João dirigiu-se à figura e ofereceu a garrafa de bebida em troca da criança. Naquela noite, retornou ao orfanato com dois bebês nos braços.

João entregou sua vida à juventude sofredora e marginalizada de tal maneira que alguns diziam que ele se crucificou por seus órfãos. Certa vez, um menino chegou ao orfanato vindo do nada. A criança havia testemunhado seu pai e sua mãe serem mortos e esquartejados por ateus diante de seus próprios olhos. Por causa do trauma, o menino não conseguia falar. Era como um animal acuado, temia a todos e confiava apenas nos próprios punhos. Quando João chegou, sentou-se diante do menino, que ainda tremia, e lhe disse: “Eu sei que você perdeu seu pai, mas agora encontrou um — eu”, e o abraçou. Isso foi dito com tamanha força que o menino caiu em lágrimas e começou a falar.

Certa vez, no meio da noite, uma das mulheres que ajudavam João com os órfãos decidiu subir à torre do sino. Estava frio e ventava forte. Ao abrir a porta, viu João em profunda e concentrada oração, congelando, tremendo na tempestade. Ele sofria em oração por seus órfãos e pelo terrível estado do mundo inteiro enquanto o mundo dormia.

Após muitos anos sofrendo com o povo sofredor da China, o arcebispo João foi convidado a mudar-se para a Califórnia para construir uma igreja ortodoxa ali. Com grande dificuldade, providenciou para que todos os seus órfãos fossem com ele para São Francisco.

Logo ficou evidente que o núcleo de seu ascetismo era a oração e o jejum. Ele comia apenas uma vez por dia, por volta das 23 horas, e às vezes passava uma semana inteira sem comer. Suas noites geralmente eram passadas em oração e, quando exausto, caía no chão e roubava algumas horas de sono. Quando chegava a hora de se levantar, alguém tocava em seu ombro, e ele se erguia imediatamente, sendo visto poucos minutos depois, com água fria escorrendo por sua barba, mas totalmente desperto.

Apesar da desaprovação das figuras “importantes” da Igreja, João era frequentemente visto brincando com crianças. Parecia gostar mais de estar com crianças do que com os “importantes” da Igreja. Em resumo, não se preocupava com o que pensavam dele. Andava descalço na chuva e na neve, não dava atenção aos seus longos cabelos grisalhos, sempre desalinhados, e não se preocupava com a aparência exterior. Tudo o que importava para ele era o mundo interior.

O arcebispo João frequentemente fazia coisas que pareciam loucura aos olhos do mundo. Não se importava com o que pensavam dele, mas vivia como se não fosse deste mundo. Certa vez, ao viajar pela Europa, entrou diretamente em uma rua movimentada e começou a entoar o antigo ofício memorial pelos mortos. Enquanto as pessoas que estavam com ele permaneciam perplexas, a polícia chegou e interrompeu o trânsito para que ele pudesse continuar o ofício. Depois lhe perguntaram por que fizera algo tão insensato, e ele respondeu que naquele ponto da rua um homem havia sido morto e ele queria rezar ali por sua alma.

Como os pensamentos de João estavam no outro mundo, ele parecia tolo e até louco para aqueles cujos corações estavam limitados a este mundo. Por causa de sua oração abnegada e de seu amor por Deus e pela humanidade, recebeu o dom de enxergar o coração das pessoas. Muitas vezes respondia a uma pergunta antes mesmo que ela fosse feita. Também percebia a necessidade de alguém, às vezes a grandes distâncias, e inesperadamente a supria, deixando todos admirados.

Certa vez, em Xangai, durante a guerra, uma mulher muito próxima de João estava morrendo. Eram cerca de dez ou onze horas da noite, e havia uma tempestade do lado de fora, com vento e chuva. Em sua agonia, ela clamou para que João viesse ajudá-la em seu estado de morte. Os médicos foram até ela e disseram que isso era impossível, pois era tempo de guerra e o hospital estava trancado durante a noite. Mesmo assim, ela continuou clamando por João, mas ninguém pôde avisá-lo de seu desejo.

Então, no silêncio da noite, enquanto a tempestade rugia do lado de fora, na porta aberta da enfermaria apareceu João, todo molhado, e aproximou-se de sua amiga agonizante. Como sua chegada tinha algo de milagroso, ela começou a se certificar de que ele era real. Ele sorriu e disse calmamente: “Eu sou real.” A mulher então adormeceu. Dezoito horas depois, ela despertou sentindo-se bem e atribuiu isso à aparição noturna de João. Ninguém acreditou nela, dizendo que ele não poderia ter entrado em um hospital trancado em uma noite como aquela. Então ela perguntou à doente no leito ao lado se tinha visto João, e esta confirmou sua aparição.

Outra visita milagrosa ocorreu quando ele estava na França. Antes de sua chegada inesperada, sua amiga olhava pela janela e viu um objeto estranho diante de sua porta, que parecia um pedaço de cano. Enquanto ela saía pela porta para ver o que era aquele objeto, a campainha tocou, e ali estava João.

Ele entrou e seguiu pelo corredor, sem dizer uma palavra. Depois sentou-se em uma poltrona. Ele permaneceu em silêncio, e ela também ficou em silêncio, sem saber o que dizer. Após cerca de cinco minutos sentado, levantou-se e foi embora. Ela ficou ali, perplexa, perguntando-se qual teria sido o significado de tudo aquilo.

Então sua atenção foi novamente atraída para a janela da frente, onde, do lado de fora, um caminhão havia parado e um grupo de policiais estava trabalhando. Alguns homens, com muito cuidado, apanharam o cano, colocaram-no no caminhão e partiram cautelosamente.

Naquela época, em Paris, havia muitos atentados terroristas, e aquele objeto era uma das bombas. Depois que a mulher saiu e descobriu isso, compreendeu a visita misteriosa de João — sua ação silenciosa para salvar-lhe a vida. Deus lhe havia revelado isso.

Quando o arcebispo João estava em idade avançada, ocorreu um incidente que revelou seu mundo interior. Para entrar secretamente em seu mundo oculto em comunhão com Deus, o arcebispo João costumava fechar a porta do altar na igreja e passar ali horas sozinho em oração. Certa vez, um dos homens de sua igreja viu que a porta do altar estava aberta e decidiu fazer-lhe uma pergunta. Ao espiar para dentro do santuário, foi tomado de medo.

Ele viu diante de si o pequeno ancião de Deus, na escuridão, envolto por uma luz que não era deste mundo, e seus pés não tocavam o chão. Viu João na luz incriada, que é uma visão do mundo vindouro — o Céu.

Incidentes como esses são incontáveis: suas lágrimas em oração, o salvamento de vidas, sua vida ascética extrema e seu amor imortal pela verdade. Ele deixou este mundo em 1966, e seu corpo — carne, cabelos e ossos — sem qualquer meio humano de preservação, permanece totalmente intacto. Por meio do sofrimento, alcançou um alto grau de pureza e justiça, a tal ponto que não apenas sua alma atingiu a incorruptibilidade, mas também o seu corpo.

MONGE SERAFIM ROSE

Serafim nasceu em uma típica família americana branca de classe média, em San Diego, em 1934. Após o ensino médio, começou a buscar a verdade e, não a encontrando na sociedade em que havia sido criado, passou a se rebelar.

Ele rejeitou o “cristianismo” da América, que considerava mundano, fraco e falso, pois para ele parecia que colocavam Deus dentro de uma caixa. Assim, voltou-se para os escritos do profeta louco Nietzsche, até que suas palavras começaram a ressoar em sua alma com poder infernal. Então caiu em total desespero, que descreveu anos depois como um inferno vivo.

Sentia que não se encaixava no mundo moderno, nem mesmo em sua própria família, que não o compreendia. Era como se tivesse nascido no lugar e no tempo errados. Gostava de vagar sob as estrelas, mas sentia que não havia nada ali que o acolhesse — nenhum Deus, nada. Então começou a beber para aliviar a dor.

Serafim passou a seguir os passos de um homem que certa vez conheceu, chamado Jack Kerouac, um dos fundadores da “geração beat”. Serafim ficava completamente bêbado e batia no chão, gritando para que Deus o deixasse em paz. Certa vez, embriagado no topo de uma montanha, levantou o punho para o céu, amaldiçoou Deus e O desafiou a condená-lo ao inferno.

Em seu desespero, parecia valer a pena ser condenado para sempre, contanto que pudesse saber que Deus existe, em vez de permanecer em um estado de indiferença. Se Deus o condenasse ao inferno, ao menos naquele momento de êxtase ele sentiria o toque de Deus e saberia com certeza que Ele era alcançável.

Anos depois, Serafim escreveu: O ateísmo, o verdadeiro “ateísmo existencial”, ardendo de ódio contra um Deus aparentemente injusto ou impiedoso, é um estado espiritual; é uma tentativa real de lutar com o verdadeiro Deus, cujos caminhos são tão inexplicáveis até mesmo para os homens mais crentes, e mais de uma vez se soube que termina em uma visão ofuscante d’Aquele a quem o verdadeiro ateu realmente busca. É Cristo quem atua nessas almas. O Anticristo não se encontra nos grandes negadores, mas nos pequenos afirmadores, cujo Cristo está apenas nos lábios. Nietzsche, ao chamar a si mesmo de anticristo, provou assim sua intensa fome por Cristo.

Serafim começou a estudar com um dos fundadores da contracultura dos anos 50 e 60, Alan Watts, e tornou-se um “boêmio” budista em São Francisco. Ele se tornou fluente em chinês para poder estudar o Tao Te Ching e outros antigos textos orientais em sua língua original, esperando alcançar o coração de sua sabedoria. Mas ainda assim não encontrou a plenitude da verdade pela qual tanto sofria. Descobriu que o “nada” budista o deixava vazio.

Serafim vinha buscando a verdade com a mente, mas ela lhe escapava. Ao pesquisar diversas tradições religiosas antigas, certa vez visitou uma igreja cristã ortodoxa oriental. Mais tarde ele escreveu sobre sua experiência: “Durante anos, em meus estudos, eu me satisfazia em estar ‘acima de todas as tradições’, mas de algum modo fiel a elas… Quando visitei uma igreja ortodoxa pela primeira vez, algo aconteceu comigo que eu não havia experimentado em nenhum templo budista ou outro templo oriental; algo em meu coração disse que eu estava em casa; que minha busca havia terminado. Eu realmente não sabia o que isso significava… Com meu contato com a Ortodoxia e com pessoas ortodoxas, uma nova ideia começou a entrar em minha consciência: que a verdade não era apenas uma ideia abstrata, buscada e conhecida pela mente, mas algo pessoal — até mesmo uma Pessoa, buscada e amada pelo coração. E foi assim que conheci Cristo.”

Ao tornar-se cristão ortodoxo, Serafim continuou a desprezar o mundo moderno e não esperava nada dele; buscava apenas escapar dele. Ele desejava uma fé ascética que não buscasse desejos e confortos terrenos, mas antes a redenção por meio de intenso sofrimento na terra.

Em seu diário, Serafim escreveu: “Não esperemos, nós que queremos ser cristãos, nada além de ser crucificados. E devemos ser crucificados exteriormente, aos olhos do mundo; pois o Reino de Cristo não é deste mundo, e o mundo não pode suportá-lo, nem por um só momento. O mundo só pode aceitar o anticristo, agora ou em qualquer tempo.”

Antes de encontrar a verdade, Serafim sofria por sua ausência. Agora, tendo-a encontrado, sofria por causa dela. Ele dedicou o resto de sua vida a viver essa verdade e a matar-se a si mesmo para entregá-la aos outros. Juntamente com um jovem russo chamado Germano, formou uma Irmandade com o nome de São Germano do Alasca, com o objetivo de um dia estabelecer o mosteiro na Ilha Spruce que São Germano havia profetizado. Juntos, começaram a viver segundo o ideal que o monge do Mosteiro de Valaam havia trazido à América tanto tempo antes. Começaram a viver pela missão da Verdade Ortodoxa.

Como os dois amigos viviam na região de São Francisco, tinham como pai espiritual o santo Arcebispo João. Foi com suas orações e bênção que os dois amigos iniciaram sua irmandade missionária. Juntos, abriram uma livraria e começaram a traduzir antigos textos espirituais que nunca antes haviam sido publicados em inglês. Adquiriram uma antiga prensa tipográfica manual e começaram a imprimir esses textos espiritualmente poderosos. Inspiravam-se para continuar seu trabalho abnegado nas vidas dos santos, como Santo Antão do Egito, São Paisios, Xênia e até mesmo o contemporâneo São Arcebispo João. O Arcebispo João, antes de sua morte, fez uma declaração enigmática: que na Califórnia haveria um mosteiro missionário. Suas palavras mostraram-se proféticas.

Cansados até a morte da cidade e do mundo, os dois amigos compraram um pedaço de terra na região selvagem do norte da Califórnia, perto da cidade de Platina, e para lá transferiram sua operação de impressão. Começaram a viver como os eremitas do deserto dos tempos antigos.

Não havia água encanada, nem telefone, nem linhas elétricas. Eles mesmos construíram os edifícios e viviam entre ursos, morcegos e cobras cascavéis.

Em 1970, os dois amigos tornaram-se monges, morrendo assim para sempre para o mundo. Como monge no deserto, o espírito de Serafim começou a voar alto. Certa vez, o monge Serafim escreveu: “A cidade é para aqueles que estão vazios, e ela afasta os que estão cheios. O deserto guarda os que estão cheios e lhes permite florescer.”

No deserto, longe do tumulto do mundo, os dois amigos estavam unidos em alma, sacrificando-se pelo ideal — que o cristianismo antigo, apostólico e de outro mundo fosse tornado acessível à América. Assim, um mosteiro missionário ortodoxo foi estabelecido em cumprimento da profecia do Arcebispo João.

Trabalhando à luz de velas em sua pequena cabana, o monge Serafim escreveu muitos livros sobre o estado espiritual do mundo moderno e traduziu antigos textos sobre a vida espiritual para o inglês. Nos países que naquela época estavam atrás da Cortina de Ferro, seus escritos sobre a condição do homem moderno, o significado do sofrimento e a alma após a morte tiveram um impacto incalculável em milhões de vidas. Durante a era comunista, seus escritos eram secretamente traduzidos, datilografados à mão e distribuídos pela imprensa clandestina. Podia-se ser morto apenas por possuir um desses manuscritos, quanto mais por lê-los e vivê-los.

A mensagem do monge Serafim sobre o cristianismo clandestino, sobre o sofrimento e a perseguição neste mundo por causa da verdade, tocou profundamente as pessoas que estavam sendo crucificadas pelo Estado ateu. Mas sua mensagem não se aplica apenas a elas; ela também desferiu um golpe devastador naqueles que estão satisfeitos com o mundo e suas instituições.

A seguir está o relato de um estudante universitário que conheceu Serafim Rose em seu campus em 1982. Pouco depois de conhecer o padre Serafim, ele se uniu à sua irmandade e tornou-se monge.

Encontrei o padre Serafim um ano e meio antes de sua morte. Assim como ele, eu vinha buscando a realidade por meio das religiões orientais, mas havia sido reduzido ao desespero. Então, certo dia, o padre Serafim veio ao campus universitário onde eu estudava. Ele chegou dirigindo uma velha caminhonete toda surrada e saiu vestindo sua batina preta gasta, com os cabelos longos e uma barba grisalha extremamente comprida e emaranhada. Mais tarde descobri que ele não tomava banho desde o dia em que se tornou monge. Ele era a imagem da pobreza total.

A próxima coisa de que me lembro é de caminhar com o padre Serafim pelo campus da faculdade. Todos olhavam para ele, mas ele andava com naturalidade, como se estivesse em casa. No meio daquela universidade progressista, ele parecia alguém que tivesse acabado de sair do deserto do quarto século.

O padre Serafim foi até uma sala de palestras e fez uma exposição chamada “Sinais da aproximação do fim do mundo”. Eu podia ver que ele era pelo menos tão erudito e muito mais sábio do que qualquer um dos meus professores, e, ainda assim, era claramente um homem do deserto. Só mais tarde descobri que, em certa época, ele havia sido professor de chinês na U.C. Berkeley.

O que mais me impressionou no padre Serafim foi que ele era um homem que se sacrificava totalmente por Deus. Ele não era um professor universitário que ganhava muito dinheiro, nem um líder religioso em busca de poder. Era apenas um simples monge que desejava a verdade acima de todas as coisas. Eu sei que ele morreria pela verdade, pois ele já estava morrendo por ela.

Em meio à escrita e à tradução de livros, o padre Serafim de repente adoeceu gravemente, à beira da morte. Certa noite, após um dia de grandes dificuldades, o padre Germano foi até ele. O padre Serafim estava sentado e ergueu o olhar para o amigo. O padre Germano começou a desabafar, dizendo como eles estavam se consumindo para espalhar a Ortodoxia e que ninguém parecia se importar. O padre Germano reclamou: “Não tenho ninguém para me ajudar”, e, vendo o estado doentio do padre Serafim, acrescentou: “e eu nem sequer tenho você”. O padre Serafim levantou a cabeça e sussurrou: “Você me terá no Paraíso”.

Em 1982, o padre Serafim aproximou-se de sua morte. Sua hora havia chegado. Enquanto jazia em um leito de hospital, em agonia, o padre Germano pediu sua bênção e consentimento para estabelecer um mosteiro na Ilha de São Germano, no Alasca, o objetivo de toda a vida deles. O padre Serafim disse com dolorosa alegria: “Que Deus o abençoe”, e pouco depois morreu, deixando seu amigo sozinho. A busca de toda a vida do monge Serafim pela Verdade, que começou no sofrimento, terminou no Céu, o que se revelou como o início da vida eterna.

St. Herman of Alaska Brotherhood
Tradução do Diácono André Souza

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Aurora Ortodoxia

Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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