Cada um de nós só pode imaginar como foi o próprio nascimento. Nem sequer pensamos no nascimento de nossas mães. Mas existe também um Nascimento dos Nascimentos. Todos os anos, logo após sete dias do início do novo ano litúrgico, celebramos a Natividade da Mãe de Deus.

A coroa, por mais que a procuremos, não tem começo nem fim, mas se ainda soubermos apreciar a emoção da busca, descobriremos que ela tem um meio-termo. Na coroa anual das festas dos santos, a Natividade da Santíssima Mãe de Deus constitui esse meio-termo. Um meio-termo doce, genuíno e eclesial.

O Nascimento da Mãe de Deus é o âmago mais doce da nossa existência, pois é o nascimento da alegria. Agora, toda a raça humana se renova, e a dor de Eva se transforma em alegria. Da dor do parto, decretada para Eva, à plenitude da graça revelada pela Santíssima Virgem Maria, encontra-se o caminho da mais doce festa. Toda a criação, visível e invisível, se banqueteia nesta festa, participando deste âmago inesgotável. O Criador, tendo-Se feito homem, eleva a criação a um estado de santidade. Que doçura poderia ser maior do que a do Verbo de Deus, o Criador, unir-Se à natureza humana — e, por conseguinte, a toda a criação?

O Nascimento da Mãe de Deus é o âmago mais doce das festas da Igreja, pois nos traz não só a resolução das enfermidades humanas, mas também a distribuição dos dons divinos.

O Nascimento da Mãe de Deus é o verdadeiro âmago das nossas festas, pois agora se abre a porta pela qual podemos retornar ao Pai, a Origem da Luz. Hoje é o início da salvação do mundo. O nascimento é o começo, mas o fim não é a morte, e sim a Ressurreição.

Quem não confessa a Santíssima Virgem como Theotokos está fora de Deus — esta é a verdade articulada primeiramente por São Gregório, o Teólogo.

O líder da salvação dos séculos, nascido hoje, abre um novo Livro na história da salvação – um Livro no qual o próprio Salvador escreverá com a pena do Espírito Santo. A Porta pela qual a Luz entra no mundo torna-se a verdadeira fonte da vida.

A Natividade da Mãe de Deus é o cerne das festas dos santos, porque a história da Queda pára por um momento – o momento em que começa a história do Natal para a humanidade. Esperança, Alegria, Perdão e Reconciliação tornam-se características cardeais da vida da igreja.

Ao nascermos, nos tornamos irmãos santos. Sem nascimento ninguém consegue se relacionar com ninguém e muito menos conseguir a Comunhão, ou seja, viver a alegria da Festa. Hoje as pessoas dão à luz filhos, os monges dão à luz santos e os santos dão à luz festas.

***

A Natividade da Mãe de Deus é o Nascimento da Mãe. Ao dizer “mãe” reconhecemos que nascemos. E embora ninguém se lembre do seu nascimento, a sua mãe não pode ser esquecida.

Vivemos num mundo de nascimentos, e o Nascimento de uma Mãe é o Nascimento do Natal.

A Natividade da Mãe de Deus é o penhor que a humanidade dá para a sua salvação. Sem este Natal, a própria Palavra não teria aparecido, não nos entenderíamos e as pessoas não seriam capazes de orar.


Sacerdote Sever Negrescu
tradução de monja Rebeca (Pereira)

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Aurora Ortodoxia é um labor online missionário de cristãos ortodoxos brasileiros de distintas jurisdições canônicas, dedicado ao aprofundamento e iluminação daqueles que se interessam em conhecer a Fé Ortodoxa por meio da experiëncia da Santa Tradição.

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