Dizem: “Vamos à igreja para louvar a Deus!” Essas palavras são como música, e Deus, de fato, precisa ser louvado. Há um segundo chamado, não menos importante: vamos à igreja para nos arrependermos dos nossos pecados!
Retire um desses chamados da igreja e você drenará sua alma. Será ruim se, esquecendo-se do louvor, as pessoas na igreja apenas chorarem por seus pecados; e se elas apenas louvarem, fechando os olhos para suas próprias iniquidades.
O verdadeiro louvor flui para o arrependimento, e o verdadeiro arrependimento termina em louvor. Eles são inseparáveis. “Nós Te louvamos, nós Te bendizemos, nós Te adoramosnos, nós Te glorificamos”, diz a Grande Doxologia. Mas já no final deste hino ouvimos: “Cura a minha alma, pois pequei contra Ti”.
Louvor e Arrependimento: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a Tua grande misericórdia”, começa David. Mas, ao final do salmo, o tom de sua oração muda: “Ó Senhor, abre os meus lábios, e a minha boca proclamará o Teu louvor”.
Lembramos-nos disso? Se sim, então somos abençoados. O pássaro da nossa oração tem ambas as asas saudáveis. Se nos esquecermos, se permitirmos que nossa oração se deturpe, corremos o risco de matar nossa alma com tristeza ou de cair na mais perigosa complacência protestante. Mas o verdadeiro louvor nos lembrará do arrependimento, e o verdadeiro arrependimento é chamado de “gerador de alegria”, isto é, dar à luz e trazer alegria no Senhor.
Quando os céus e a terra e todo o seu exército foram concluídos (Gênesis 2:1), o mundo ainda não estava completo. Era belo e sem pecado, mas incompleto. A beleza do mundo é levada à sua plenitude por aquele que ora. É necessário que o homem convoque o céu e a terra, com todo o seu exército, à oração.
Louvai-o, todos os seus anjos… Louvai-o, sol e lua, louvai-o, todas as estrelas de luz. Louvai-o, fogo e saraiva, neve e neblina… montes e todas as colinas, árvores frutíferas e todos os cedros, animais selvagens e todo o gado, répteis e aves (Salmo 148). Os últimos salmos parecem completar o livro de Gênesis.
Somente quando esta voz de oração ressoar e o mundo responder a ela, o universo se tornará completo. Tornar-se-á não apenas um lar, mas um templo, construído e consagrado. Apenas uma coisa impede o louvor puro: o pecado.
Por isso, contemplando a natureza, David diz: “Desapareçam da face da terra todos os pecadores” (Salmo 104:35). O mundo precisa de louvor para viver, e o homem precisa lutar contra o pecado e se arrepender para que o louvor seja puro e sincero. “O sacrifício de louvor me glorificará, e ali está o caminho pelo qual lhe mostrarei a minha salvação” (Salmo 49:23).
Arcipreste Andrey Tkachev
tradução de monja Rebeca (Pereira)








