A CURA DO SERVO DO CENTURIÃO
Epístola: Rm 6:18-23 / Evangelho: Mt 8:5-13
Em Nome do + Pai, e do + Filho e do + Espírito Santo.
Amados irmãos,
O Santo Apóstolo Paulo nos fala da morte, e que o salário do pecado é a morte, mas que o dom gratuito de Deus é a vida eterna por Jesus Cristo. De tudo o que praticarmos nos causar vergonha, então o prêmio é a morte, diz São Paulo ao Romanos. No monastério de São Paulo, no Monte Athos, está escrito na entrada: “Se você morrer antes de morrer, então você não morrerá quando morrer”. Somos chamados a morrer em em vida para o pecado, ou seja, nos escondermos com Cristo em Deus. Pois a morte da qual São Paulo fala a comunidade de Roma é o distanciamento do coração humano diante da presença de Deus. É o resistir ao Amor do Pai. E não estar mais na presença de Deus e surdos a Sua Palavra causa morte em nós. Celebrar o pecado, é celebrar a morte pela ausência de Deus em nós, é matar nossa alma!
Sem Deus já estamos mortos, e mortos em vida! Sujeitos como folhas mortas ao chão levadas a qualquer vento. Mas se nosso desejo é não morrer no dia de nossa morte corporal (ou biológica), ainda há esperança! Se trabalhamos diariamente para experimentar nesta existência a vida eterna, o doce Céu em nós, a bem-aventurança do Paraíso com Deus, então receberemos o dom gratuito de Deus que é a vida bem-aventurada e sem fim. Tenhamos bem claro que na vida espiritual nada se conquista sem humildade e arrependimento.
O evangelista São Mateus, no evangelho deste domingo, diz que nosso Senhor Jesus Cristo chegou a Cafarnaum. O nome do lugar vem do hebraico Kfar Nahum, que quer dizer “Aldeia” ou “Vila” da “Compaixão”. O centurião romano (militar de alta patente, que comandava de 100 soldados ou centúria, equivalente em nossos dias ao “capitão”) tinha um servo que estava, há bom tempo, paralítico por uma doença. E Nosso Senhor se prontificou, por compaixão, a curá-lo ainda que a distância. Mas o centurião romano era um detestado pagão, e agora? Na prática, como cidadão palestino e religioso judeu, Nosso Senhor estava sujeito a autoridade do centurião romano. Mas a humildade venceu qualquer arrogância: um cidadão da poderosa Roma clamou por misericórdia a um “homem judeu” escravizado pelo império romano. A ordem aqui se inverteu! E o centurião romano diz: “Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado” (Mt 8:8). Escutemos com atenção ao que ele disse:“Eu não sou digno”. Isso é a revelação exterior do mais profundo arrependimento interior.
“Mas dize somente uma só palavra”; continua o centurião: “e o meu servo será curado, pois também eu sou homem sob autoridade e tenho soldados às minhas ordens…”. A fé do centurião era reta e sincera, vinha do coração. O que expressam então estes dizeres? Exatamente isto: Tu És Deus, o Senhor Todo-Poderoso, Aquele que É o Doador de Vida, que venceu a Morte, o Deus do impossível, o Médico das almas e dos corpos, que dá saúde e que está acima de toda doença e do pecado. Não a toda, aos dizeres sinceros e cheios de fé do centurião, nosso Senhor disse: “Não encontrei tão grande fé em Israel” (Mt 8:10).
São Teófano, o Recluso, comenta sobre este Evangelho: “Que fé tem o centurião! O próprio Senhor Se maravilhou… Eu acredito que tudo está sob Sua autoridade e tudo obedece ao Seu menor aceno. O Senhor exige a mesma fé de nós, também. Aquele que tem essa fé não conhece a falta, e tudo quanto pede, recebe. Assim o próprio Senhor prometeu. Ó, quando teremos ao menos um pouco de tal fé! Mas esta fé é também um dom, precisamos pedir por ela – o dom da fé – também, e pedir com fé… e acima de tudo, pela submissão aos mandamentos de Deus”.
Que nossa oração durante todos os dias desta semana seja: “Senhor, conceda-me o dom da fé. Senhor, eu creio, mas aumenta a minha fé!”.
Que o Deus da paz que supera toda a nossa compreensão, guarde os nossos corações e mentes em Jesus Cristo nosso Senhor.
Sacerdote Nicolau Machado








