Uma das maiores dificuldades de nossa geração não é a falta de recursos, de tecnologia ou de informação. É a dificuldade de formar seres humanos. Antigamente, a educação possuía pilares claros. Havia regras, limites, respeito pelos mais velhos, honra aos pais, reverência aos professores e obediência às autoridades. Não era um sistema perfeito, mas existiam referências sólidas que ajudavam a moldar o caráter.
Hoje, porém, vivemos em uma realidade completamente diferente. Os limites são vistos como opressão. A disciplina é confundida com violência. A obediência é considerada fraqueza. A autoridade é constantemente questionada. O respeito tornou-se opcional.
As crianças crescem sem ouvir “não”. Os adolescentes são incentivados a seguir seus impulsos. Os adultos vivem como se não tivessem que prestar contas a ninguém. E o resultado está diante de nossos olhos: uma sociedade cada vez mais ansiosa, confusa, ferida e incapaz de encontrar sentido para a própria existência.
O problema não está apenas na mudança dos costumes. O problema mais profundo é que Deus foi retirado do centro da vida.
Quando Deus deixa de ser a referência, cada pessoa se torna sua própria regra. Cada desejo se transforma em lei. Cada opinião passa a valer mais do que a verdade. E assim nasce uma geração sem direção, navegando em um mar sem bússola.
A Igreja Ortodoxa sempre compreendeu que educar uma criança não significa apenas prepará-la para o mercado de trabalho ou para uma carreira de sucesso. Significa prepará-la para a eternidade. Criar filhos para Deus exige muito mais do que oferecer conforto material. Exige transmitir valores espirituais através do exemplo diário. As crianças aprendem muito mais com aquilo que veem do que com aquilo que escutam.
Se os pais rezam, elas aprendem a rezar. Se os pais frequentam a igreja, elas aprendem a amar a igreja. Se os pais vivem com honestidade, elas aprendem a ser honestas. Se os pais respeitam, elas aprendem a respeitar. Não existe educação cristã sem testemunho cristão. Os Santos Padres ensinavam que o lar deve ser uma pequena igreja doméstica. É dentro de casa que a fé deve ser vivida. É ali que a criança aprende a fazer o sinal da cruz, a rezar diante dos ícones, a pedir perdão, a agradecer, a servir e a amar.
Naturalmente, isso se torna cada vez mais difícil em um mundo que constantemente ensina o contrário.
A internet, as redes sociais, a cultura do prazer imediato e a busca incessante pela satisfação pessoal trabalham diariamente para convencer nossos filhos de que Deus é desnecessário. A mensagem do mundo é simples: “Faça o que quiser. Seja o que desejar. Siga seu coração.”
Mas Cristo nos ensina algo diferente: “Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.” O caminho do Evangelho nunca foi o caminho mais fácil. É o caminho da transformação. Por isso, criar filhos para Deus exige coragem. Coragem para dizer “não” quando todos dizem “sim”. Coragem para estabelecer limites quando ninguém mais os estabelece. Coragem para ensinar a verdade mesmo quando ela não é popular.
Os pais cristãos não são chamados a criar crianças felizes apenas por alguns anos. São chamados a formar homens e mulheres santos para toda a eternidade. Talvez não consigamos mudar o mundo inteiro. Talvez não consigamos mudar a cultura que nos cerca. Mas ainda podemos proteger nossos lares. Ainda podemos construir famílias que amam a Deus. Ainda podemos ensinar nossas crianças a rezar, a respeitar, a obedecer e a amar a verdade.
Cada criança criada no temor de Deus é uma luz acesa em meio à escuridão. Cada adolescente que permanece fiel a Cristo é uma vitória do Reino de Deus. Cada adulto que escolhe viver segundo o Evangelho torna-se um testemunho vivo de que a santidade ainda é possível.
A missão não é fácil. Nunca foi.
Mas a Igreja atravessou impérios, perseguições, guerras, heresias e incontáveis crises ao longo dos séculos. E continua viva porque Cristo continua vivo. Por isso, não devemos perder a esperança. Talvez o mundo não tenha interesse em Deus. Mas Deus continua interessado em nossas crianças.
E enquanto houver pais, mães, avós, padrinhos, sacerdotes e educadores dispostos a transmitir a fé, ainda haverá futuro para a Igreja, para a família e para a humanidade.
+ Bispo Theodore El Ghandour






